Este trabalho integra o projeto “Construções subordinadas nas variedades lusófonas: uma abordagem discursivo-funcional”, coordenado pela Profa. Dra. Erotilde Goreti Pezatti (UNESP/IBILCE/SJRP), cuja proposta é analisar sob a perspectiva teórica da Gramática Discursivo-Funcional (GDF – HENGEVELD e MACKENZIE, 2008) os três tipos de orações subordinadas (completiva, adjetiva e adverbial) nas variedades lusófonas, a fim de verificar as motivações funcionais que permeiam os tipos de construções subordinadas e as relações semântico-discursivas que elas podem expressar. Considerando, assim, a GDF como aparato teórico, que faz distinção entre camadas e níveis de organização da linguagem, o objetivo do trabalho é analisar as orações subordinadas substantivas que atuam como complementos de um nome. O objetivo específico é descrever as propriedades pragmáticas, semânticas e morfossintáticas dos predicados nominais e de seus complementos oracionais, quanto (i) à natureza categorial dos predicados nominais e de seus complementos, (ii) aos tipos de estruturas oracionais que podem figurar como complementos de nomes, (iii) à expressão da preposição no processo de complementação, (iv) à distinção entre modificador e núcleo-dependente (distinção entre orações relativas e completivas nominais, respectivamente). Em termos gerais, os resultados mostram que (i) a natureza semântica dos predicados nominais é um fator importante para a seleção do tipo de complemento oracional, (ii) a estrutura morfossintática dos complementos finitos determina a não expressão da preposição, (iii) as completivas nominais representadas por categorias semânticas de camadas mais baixas tendem a selecionar a forma não-finita e a apresentar correferência entre os sueitos das orações envolvidas, já as completivas nominais pertencentes a camadas mais altas da GDF, com identidade dos participantes das orações, tendem a selecionar a forma finita, comprovando, pois, a existência de uma hierarquia no processo de complementação. Para tanto, utilizamos o corpus oral da lusofonia organizado pelo Centro de Linguística de Lisboa, e pelas universidades de Toulouse-le-Mirail e Provença-Aix-Marselha.
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