Os textos teatrais censurados durante a ditadura militar e encenados na Bahia têm sido fonte valiosa para o estudo de diversas áreas. Tomando-se a perspectiva de análise da Filologia, estes se destacam como objetos materiais, objetos de cultura e objetos de pesquisa, ampliando as possibilidades de se entender a cultura teatral baiana em seus modos de escrever para teatro e de encenar. Observa-se daí a necessidade de se propor edições para os textos teatrais, que sejam representativas da multiplicidade de suas formas e registros, haja vista que tais textos não se identificam àqueles pertencentes ao gênero dramático canônico, mas se constituem nas diferentes formas do drama assumidas pelo teatro baiano e se registram nos diferentes suportes. Acrescente-se a isso, a presença dos diversos partícipes da cena teatral, estes se interpõem na construção textual e cênica e também deixam suas marcas no texto, configurando uma autoria múltipla. Nesta perspectiva, uma edição crítica que subsume todas as versões do texto a uma única, não daria conta de representar a diversidade textual e as modificações observadas no texto. Pretende-se nesse trabalho discutir como as características atinentes ao texto teatral resultam na necessidade de revisões teórico-metodológicas do trabalho editorial no que tange a noção de texto, de autoria, variantes, dentre outras questões. Acredita-se que a partir de tais problematizações será possível propor edições adequadas às situações textuais encontradas, que se configurem como uma forma efetiva de ler, interpretar, editar e dar a conhecer a produção dramatúrgica baiana em tempos de ditadura militar.
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