Dentre as muitas variações que ocorrem na língua portuguesa, o caso do –r em posição final de vocábulo oferece recorrentes possibilidades de variação desde a representação através da fricativa velar (x), da fricativa glotal (h) até o seu apagamento (ø), a depender de fatores linguísticos e não linguísticos. Não é de hoje que esse tipo de variação é estudado, principalmente no âmbito dos estudos dialetais e sociolinguísticos. No presente artigo, procurei responder de que maneira as formas verbais infinitivas são representadas na escrita virtual e quais as principais semelhanças e diferenças entre essas representações e as da transcrição na escrita convencional. Para tanto, comparei escritas de usuários do facebook e representações transcritas com base nas manifestações orais de informantes do Projeto Variação e Processamento da Fala e do Discurso- PROFALA. Estudos como os de Nascentes (1953), Pontes (1972), Sílvio Elia (1979), Callou (1979), e Callou e Lopes (2003) foram base para as reflexões sobre a variação na escrita das formas infinitivas e os de Costa (2009, p. 75), Mollica (1996), Araújo & Biasi-Rodrigues (2007,) e Santos (2005) serviram como apoio para refletir sobre a escrita virtual. Eis, portanto, algumas considerações como resultado: ambos os textos se apoiam na manifestação oral; o apagamento do –r nas formas infinitivas é uma realidade na escrita de pessoas de ambos os sexos, independente de idade e de escolaridade; o acento agudo é utilizado para indicar um prolongamento da vogal nos verbos de 1ª conjugação e o circunflexo nos de 2ª; os verbos de 3ª conjugação se apresentam sem nenhuma marcação, quando são registrados sem o –r final e na escrita virtual a letra –h também é uma opção para marcar o prolongamento da vogal pronunciada com mais intensidade no final.
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