O objetivo do trabalho é discutir sobre os usos do tempo verbal futuro do presente no português brasileiro, fazendo uma breve retomada de estudos que já trataram do tema a partir de uma perspectiva funcionalista. A ideia é expor sobre essa categoria verbal a fim de demonstrar as formas linguísticas que têm servido pancronicamente como expressão desse tempo/aspecto verbal na língua. Para isso, apresenta-se um panorama sobre a formação e os principais empregos do futuro do presente, tomando por base algumas gramáticas da língua portuguesa, seguido de uma retomada teórica de alguns postulados do funcionalismo linguístico norte-americano, principalmente a teoria da gramaticalização e o princípio da marcação. A teoria da gramaticalização é utilizada para justificar os processos de mudança linguística imputáveis ao tempo verbal em questão, bem como para situar os estudos já realizados acerca do tema, sempre em uma abordagem que privilegia a língua em uso. Já o princípio da marcação é empregado para discutir sobre os resultados de uma pesquisa realizada com textos escritos por alunos da terceira série do ensino médio de uma escola estadual do município de João Pessoa-PB, em que foram verificadas as ocorrências de futuro do presente e suas formas de codificação por esses alunos. Neste caso, aplicou-se tal princípio para descrever a(s) forma(s) linguística(s) mais ou menos marcada(s) a partir dos critérios de distribuição de frequência e de complexidade estrutural e cognitiva. Em síntese, os resultados mostraram que a perífrase verbal, mesmo sendo mais complexa estrutural e cognitivamente, apareceu como a forma de futuro do presente mais frequente no corpus analisado (60%), confirmando uma tendência de uso já estabilizada sincronicamente no português do Brasil.
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