Nos últimos anos, um número expressivo de pesquisadores da área de Linguística Aplicada tem se dedicado ao estudo das crenças envolvidas no ensino/aprendizagem de línguas, particularmente de línguas estrangeiras. Tem-se buscado compreender em que medida as crenças de pais, alunos, professores e outros agentes educacionais, além daquelas presentes nos materiais didáticos, afetam o processo de ensino/aprendizagem. Paralelamente, em anos mais recentes, vem se ampliando o número de pesquisadores ocupados com o estudo da(s) política(s) linguística(s) em andamento no Brasil. Nesta comunicação, procura-se discutir a relevância e a contribuição dos estudos sobre crenças na compreensão da(s) política(s) linguística(s) em andamento na sociedade brasileira contemporânea. Em um primeiro momento, desenvolvem-se considerações gerais acerca da política linguística oficial do Estado Brasileiro e discute-se, a partir de estudiosos da área de Multiculturalismo e Educação Bilíngue, a “real” política linguística brasileira para as diferentes línguas faladas e/ou ensinadas no país. Em seguida, apresenta-se brevemente o modelo tradicional de política linguística, desenvolvido por pesquisadores da Sociolinguística entre os anos 60 e 70 do Século XX, e o modelo ampliado proposto por Spolsky (2004) e formalizado por Shohamy (2006). Como se procurará demonstrar, as crenças sobre a língua(gem) ocupam um lugar central na proposta desses autores, pois revelam e refletem a “real” política linguística das sociedades contemporâneas. Por fim, à guisa de exemplo, discutem-se, a partir dos estudos reunidos em Barcelos e Vieira-Abrahão (2006) e Silva (2010, 2012), algumas das crenças sobre a língua inglesa e o ensino/aprendizagem dessa língua que circulam no Brasil. A partir da análise dessas crenças, busca-se demonstrar como os inventários de crenças desenvolvidos pelos pesquisadores da área constituem profícuo material de análise para estudos de Política Linguística, podendo, portanto, contribuir para uma compreensão mais ampla das políticas linguísticas em andamento na sociedade brasileira contemporânea.
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