Este trabalho é parte da tese de doutorado intitulada “Carta-crônica: uma tradição discursiva no jornalismo potiguar” e tem por objetivo descrever os traços linguísticos recorrentes que caracterizam a carta-crônica como uma tradição discursiva. Estamos denominando de carta-crônica, cartas remetidas ao redator de três jornais que circularam/circulam no Rio Grande do Norte, ao longo do século XX e primeira década do século atual, e que se diferenciam de outros gêneros epistolares jornalísticos, como a carta do leitor, a carta aberta e a carta do redator. A carta-crônica é um gênero híbrido, pois mistura elementos da epistolaridade e da crônica literária e trata de temas variados que retratam os costumes, crenças e tradições do povo potiguar. A perspectiva teórica que fundamenta a discussão é o conceito de TD, conforme Schlieben-Lange (1983); Kabatek (2004) e Koch (2008). A metodologia utilizada baseou-se no modelo proposto por Zavam (2009) para a análise diacrônica de gêneros. Esse modelo analisa a trajetória de uma TD com base em três categorias teórico-metodológicas: contexto, texto e norma/forma. O corpus está constituído de 75 cartas-crônica, publicadas no período de 1914 a 2010. A análise da categoria texto nos mostrou quais traços linguísticos se repetem na TD ao longo de sua trajetória. A identificação dos traços que se repetem permitiu concluir que essa TD se caracteriza pela evocação ao passado, ou seja, a narrativa de histórias passadas evocadas pela memória é o traço definidor dessa TD.
Palavras-chave: Carta-crônica. Gênero discursivo. Tradição discursiva. Memória.
|