Segundo pressupostos teóricos da Análise do Discurso de linha francesa, o processo de produção de um discurso é caracterizado por uma série de formações imaginárias que designam o lugar que os sujeitos atribuem cada um a si e a outrem. Há, também, por parte de cada indivíduo, uma suposta antecipação dessas representações. De acordo com esses mecanismos discursivos, como o coloca Pêcheux (1997), todo sujeito tem a capacidade de se colocar numa posição em que o seu interlocutor ‘ouve’ suas palavras, antevendo os sentidos que estas produzem. É, pois, nesse contexto, que este artigo pretende identificar, em postagens publicadas no Facebook, rede social criada em 2004, em que qualquer pessoa com acesso à internet pode registrar e divulgar o seu perfil, ou seja, os seus dados pessoais, suas fotos, vídeos, links e notas, podendo, ainda, estabelecer conversas, em tempo real, e discutir os objetivos e peculiaridades de estratégias discursivas usadas na elaboração de discursos nesse ambiente virtual, a que chamo de Espelho de Narciso, numa alusão ao personagem da mitologia grega que, encantado por sua própria beleza refletida na água, deitou-se ao lado de um rio e definhou.
|