POLÍTICAS LINGUÍSTICAS: FRONTEIRA, CULTURA E INTERCULTURALIDADE As apresentações examinam criticamente as noções de cultura, fronteira e interculturalidade. Uma das apresentações aborda os efeitos das relações entre brasileiros e uruguaios na fronteira; a segunda discute como os habitantes definem e representam as distâncias que diferenciam as etnias que ali convivem; por fim, a terceira comunicadora discorre sobre os conceitos de cultura de acordo com as diversas perspectivas das ciências humanas. Resumo #1A multiculturalidade, ou coexistência de distintas culturas em um mesmo espaço, parece ser uma das consequências dos movimentos e deslocamentos ocasionados pela globalização. O fluxo de indivíduos, práticas culturais resultantes do hibridismo cultural (Canclini, 2012), bens e produtos e suas consequências, observáveis ao longo do século XX movimentou nossa silenciosa diversidade, impondo-nos uma reação, um deslocamento que supera o corpo físico, mas nem sempre nos interculturaliza. Melià (2013) chama atenção para um abuso no uso do termo interculturalidade e sugere que, na realidade, estamos nos referindo a intraculturalidade. Mas o que acontece em regiões fronteiriças, onde o fluxo humano produz odores, sons, corporalidade e linguagem híbridos? Nesta pesquisa discutimos os efeitos das relações entre brasileiros e uruguaios na fronteira Jaguarão – Rio Branco; para tanto, os sujeitos da pesquisa foram convidados a pensar sobre o que os une e o que os separa. Este estudo, ainda em andamento, pretende analisar também os efeitos dos discursos nacionalistas nas relações e na construção das identidades em ambos os lados do rio. Resumo #2Um dos aspectos que mais intriga os estudiosos dos povos fronteiriços é a questão das distâncias que separam as comunidades Quais seriam os traços culturais, raciais ou linguísticos que definem as diferenças? Os antropólogos, na paciente descrição das comunidades estudadas, podem nos fornecer algumas pistas sobre como especificar (estudar) os modos de vida dessas comunidades e os valores que tecem a sua organização social. Podem nos fornecer, outrossim, informações sobre o desenvolvimento intelectual da comunidade, sobre a fabricação de artefatos e produção artística. Mas quais destes aspectos culturais materiais ou imateriais são percebidos pelos moradores como as marcas que definem as duas culturas? Meliá (2013) sugere o conceito de distância para definir esta diferença. Então, nesta pesquisa apresentamos os dados sobre como um grupo de habitantes da fronteira brasileira define a sua distância entre os habitantes da fronteira uruguaia. Os participantes da pesquisa foram convidados a falarem, numa entrevista semidirigida, sobre as marcas culturais que, segundo eles, os distingue da nacionalidade uruguaia, ou as marcas que definem a sua brasilidade. Os resultados indicam que os falantes privilegiam os aspectos culturais materiais para sinalizar esta diferença. Resumo #3Nunca se ouviu ou, pelo menos, teorizou-se tanto acerca dos vocábulos conflito e crise conflitos étnico-raciais, conflitos de gêneros, conflitos religiosos, conflitos bélicos; conflitos econômicos. Estaria o mundo em colapso, diante de tantas crises advindas dos processos de globalização? Agregamos aos conflitos já mencionados os de identidade e cultura que, juntamente com os demais, vivem e sobrevivem na linguagem, essa atividade exclusivamente humana. A presente proposta visa a discutir o termo cultura que, juntamente com a práxis humana, a linguagem, ajuda a compreender a razão pela qual as palavras crise e conflito parecem atualmente – período denominado por Hall como pós-modernidade e chamado por Bauman de modernidade líquida – fazer parte das saudações cotidianas, são os termos “da moda do mundo global”. Assim, faz-se mister trazer as contribuições de diferentes áreas das ciências humanas, na tentativa de abarcar a palavra cultura sob as mais distintas ópticas, firmando-se nas contribuições de Williams (2012), Edgar e Sedgwick (2003), Jullien (2009), Eagleton (2011) White (2009), Velho (2012), Bauman (2012), Canclini e Urteaga (2012) e Hall e Mellino (2011). Há que se levar em consideração que este trabalho não tem por objetivo instituir um conceito de cultura, senão exauri-lo de maneira a deixá-lo sem amarras ou limitações, porque a cultura não permite qualquer tentativa de fixidez. | |
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