Este trabalho apresenta os resultados de um estudo comparativo realizado a partir da escrita colaborativa de duas díades. Considerando que este tipo de trabalho pode revelar situações que ultrapassam a relação de ensino-aprendizagem professor-aluno e dando ênfase a relação aluno-aluno, nosso objetivo incidirá sobre a análise de enunciados que surgem a partir da negação da enunciação do parceiro. O diálogo intradíade resultante desta relação pode ser considerado como um importante índice de reflexão metalinguística, originando as rasuras orais comentadas (ROC). Alicerçado teoricamente na Genética Textual apresenta como fio condutor a descrição e classificação das ROC que esses alunos enunciam quando escrevem conjuntamente um conto etiológico inventado. Seguindo uma metodologia de base etonográfica, registrando com uma filmadora propostas de produção de texto, obtivemos um corpus composto por 20 processos de escritura a partir do projeto didático “Contos do como e do por que” realizado numa turma do 2º ano do Ensino Fundamental, 1o semestre de 2012, em uma escola de Maceió/AL. Foram analisados 10 processos de escrita de uma díade de alunos e 10 de uma díade de alunas. Na classificação dos enunciados, observamos comentários sobre diversos níveis linguísticos: gráfico-visual, pragmático, ortográfico, lexical, semântico, sintático, textual, pontuação. Como resultado, contabilizamos 193 ROC. Dessas, 162 produzidas pelos alunos e 31 produzidas pelas alunas. Nas produções de Caio e Igor, observamos que as três maiores incidências são nos níveis textuais (48%), lexicais (15%) e pragmáticas (13%). Já nas produções de Marília e Sofia são nos níveis textuais (42%), pragmáticas (19%) e ortográficas (16%). A diferença entre estas díades parece estar relacionada ao conhecimento que detêm sobre os diferentes aspectos da criação textual. O modo como compartilham aquilo que sabem estaria contribuindo para a emergência da atividade reflexiva no curso da escritura colaborativa.
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