AVANÇOS DA NAUROCIÊNCIA APLICADOS À LINGUAGEM Nesta sessão serão apresentadas e discutidas as evidências empíricas que comprovam que o processamento das invariâncias dos traços das letras, sintetizadas nos grafemas, ocorre na região occipitotemporal ventral esquerda, os quais, depois, são associados aos fonemas, ambos com a função de distinguir significados. Será igualmente apresentada uma revisão dos estudos recentes de fMRI/DTI, avançando o debate sobre o que existe de único na capacidade da linguagem humana para distingui-la da comunicação desenvolvida por outras espécies. Por fim, serão trazidos à reflexão os avanços da neurociência na sua interface com a educação, através dos resultados e trabalhos do projeto ACERTA (Avaliação de Crianças Em Risco de Transtorno de Aprendizagem). Resumo #1Avanços da Neurociência aplicados à leitura: invariância e reciclagem neuronal A neurociência comprova experimentalmente que, para o reconhecimento da realidade com a qual nos defrontamos no dia a dia, é necessário emparelhar o resultado do processamento dos sinais capturados pelos sensores com formas invariantes armazenadas na memória permanente. A ênfase, porém, nesta comunicação, está voltada para a realidade psicológica das invariâncias dos traços que constituem as letras. Abordarei a invariância espacial e a invariância de fonte e tratarei, também, do grande desafio que consiste em reconhecer os pequenos traços que diferenciam as letras entre si, particularmente quando está envolvido o espelhamento, o que requer a reciclagem dos neurônios da leitura, pois os neurônios da visão são programados para simetrizar os sinais. As evidências empíricas comprovam que o processamento das invariâncias dos traços que compõem as letras, sintetizadas nos grafemas ocorre na região occipitotemporal ventral esquerda, os quais, depois, são associados aos fonemas, ambos com a função de distinguir significados. Resumo #2A área de Broca e as partes devotadas à computação de linguagem Introdução: Na mesma medida que não é confortável para alguns saber que os primatas não humanos e nós, os humanos, temos um ancestral comum, talvez seja ainda menos reconfortante saber que a capacidade suprema do ser humano para a linguagem se diferencia só em ínfimos detalhes da capacidade de comunicação de outros animais (Chomsky, Hauser& Fitch 2005). Objetivos: A partir da revisão de estudos recentes de fMRI/DTI, este trabalho pretende avançar na discriminaçãosobreo quê existe de único na capacidade da linguagem humana que a distingue da comunicação desenvolvida por outras espécies. Resultados: Cachorros e muitos outros animaisreconhecem o relacionamento entre um segmento de fala humana e um conteúdo (França, Lage, 2012; Petitto, 2005). Estudos de DTI localizaram esta computação em uma conexão ventral fortemente definida no hemisfério esquerdo, ligando a Parte Triangular (BA 45)da Área de Broca, aosgirostemporais médio e inferior.A conexão é feita porfibras longas de associação, agrupadas em um feixesub-cortical denominadofascículo uncinado(Amunts et al, 2010; Friederici, 2012). Em outros animais como no macaco, se verifica essa cognição também através de uma rota ventral, que liga uma área análoga à Broca ao lobo temporal (Petrides, Pandya, 2009). Por outro lado, os algoritmos de hierarquia sintáticase baseiamem uma conexão dorsal fortemente definida no hemisfério esquerdo, ligando a Parte Opercular (BA 44) da Área de Broca, situada no giro frontal inferior, ao giro temporal superior. A conexão é feita por uma coleção de fibras longas de associação (Figura 2), agrupadas em um feixe sub-cortical denominado fascículo arqueado (Amuntset al, 2010; Friederici, 2012). Em outros animais como no macaco,esta conexão é fraca. Porém esta computação também se verifica com algumas diferenças de complexidade e sem a contraparte semântica em pássaros canoros (Berwicket al 2011). Resumo #3Avanços da neurociência na sua interface com a educação O objetivo desta apresentação é apresentar os avanços da neurociência na sua interface com a educação, através dos resultados e trabalhos do projeto ACERTA (Avaliação de Crianças Em Risco de Transtorno de Aprendizagem). O ACERTA é um projeto multi-cêntrico e longitudinal que almeja consolidar uma interface entre a neurociência e o ensino fundamental brasileiro para auxiliar na identificação precoce de transtornos de aprendizagem a partir de bases de dados de avaliação escolar padronizadas (INEP) e de índices neurobiológicos. Trata-se de um projeto com três pontas-de-lança: (1) avaliação e predição de desempenho escolar a partir das bases do INEP em correlação com os resultados de quatro anos de acompanhamento de desempenho educacional e de índices neurobiológicos; (2) investigação de transtornos de aprendizagem nas escolas do projeto, bem como seus marcadores neurais e (3) produção de modelos preditores de transtorno de aprendizagem a partir dos indicadores do estudo, dos indicadores do INEP e dos dados de desempenho e observação coletados nas observações de sala de aula. Foram desenvolvidos protocolos indicadores para o diagnóstico de transtornos de aprendizagem que estão sendo aplicados no “Ambulatório de Aprendizagem” do projeto. Apresentam-se, neste trabalho, os resultados do primeiro ano de trabalho dos três centros de pesquisa envolvidos, dos dados piloto coletados e das experiências em sala de aula e no ambulatório de aprendizagem. | |
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