S14. Psicolinguística, Processamento linguístico e Aquisição da Linguagem  (Comunicações)

QUESTÕES DE SUBJETIVIDADE E IDENTIDADE E DO PROCESSO DE AQUISIÇÃO/APRENDIZAGEM DE ESPANHOL COMO L2/LE EM UMA CRIANÇA BRASILEIRA.
RAFAELA GIACOMIN BUENO 1
1. UNESP - Universidade Estadual Paulista
rafaelagbueno@gmail.com



Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a constituição da subjetividade e da identidade de uma criança brasileira de 5 anos de idade que inicia sua aquisição/aprendizagem de espanhol aos 4 anos de idade em um colégio bilíngue (Português/Espanhol) e, desde estão, passa também a utilizá-la no entorno familiar. O contato com essa segunda língua, o espanhol, permite-nos levantar a hipótese de que a criança passa por um deslocamento identitário que modifica sua subjetividade, a partir dos movimentos discursivos que se configuram nos gêneros (BAKHTIN) ou formatos (BRUNER, 1984, 1983). Partimos, para tal reflexão, de uma perspectiva dialógica-discursiva que busca considerar as contribuições de Bakhtin (2010, 2000) e do Círculo (BAKHTIN/VOLOSHINOV, 2006, 1997, 1976) nos estudos de aquisição bilíngue e aprendizagem. Devido as peculiares condições de contato que essa criança apresenta com o espanhol, postulamos também que os processos de aquisição/aprendizagem podem ser coexistentes e interdependentes, negando a hipótese de aquisição-aprendizagem de Krashen (2003, 1981). Tal complementaridade se sustenta em reflexões sobre os conceitos de interferência e code-switching apresentados separadamente na literatura sobre aprendizagem de L2/LE e sobre bilinguismo, respectivamente. Verificamos na análise de dez sessões de gravações em áudio e vídeo da criança, em situações de interação em ambiente familiar (criança- mãe, criança-pesquisadora), que esses fenômenos aparecem com recorrência na fala infantil e não podem ser claramente delimitados. Considerando também influentes fatores como a idade da criança, a proximidade tipológica entre o PB e o espanhol, constatamos marcas da singularidade infantil que consistem em modificações em sua produção oral em diversos níveis linguísticos (fonético-fonológico, léxico-semântico e morfossintático). Tais marcas se apresentam dentro do gênero “jogo lúdico” entre a criança e o outro, evidenciando-nos um deslocamento identitário, um movimento dentro dos domínios, que corroboram as reflexões sobre a constituição da subjetividade e identidade infantis nos processos de aquisição/aprendizagem de L2.


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