Este trabalho foca nas mudanças da concordância verbal e na evolução dos traços- φ no PB. Galves (1993) mostrou que houve uma perda da distinção sintática entre segunda e terceira pessoa na língua. Scherre (1994) mostrou que há uma perda sistemática da concordância de número no verbo, diante disto pretende-se responder neste trabalho: quais são os traços φ no PB? Como a proposta de Galves pode ser reinterpretada dentro do modelo minimalista? E qual o papel de [número] na língua?
Em PB, a única forma verbal que especifica pessoa, é a primeira, as outras duas flexões envolvem um valor default para o traço pessoa. Richards, (2008) assume que [pessoa] é um traço de distinção binária [+-pessoa], e que as outras pessoas são derivadas a partir de outros traços. A partir disto, o que é proposto aqui, é que o PB não perdeu o traço [pessoa], mas ao invés disso, ocorreu a perda do traço [participante], uma que vez 2ª e 3ª não são expressas sintaticamente.
Além disto, a proposta é que no PB em T só há [µpessoa]( Richards, 2008). Isto significa que este é o único traço que precisa ser valorado em T para que a derivação convirja. Sendo assim, propõe-se que isto acontece porque [número] apesar de ser um traço sintático em PB, não precisa ser valorado para a derivação convergir, o que explicaria porque a marca de número nos verbos seria “opcional” na língua. Preminger (2010) argumentou que a falha para estabelecer concordância entre uma sonda e um alvo, não necessariamente resulta em agramaticalidade. Resumindo, propõe-se que os traços φ que podem ser expressos no verbo no PB são [número] e [pessoa], número tem que ser valorado em T, enquanto [número] é opcionalmente valorado, o que acarreta na variação da marcação de plural no verbo.
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