S1. Análise de estruturas linguísticas - Semântica (Comunicações coordenadas)

TRÊS ESTUDOS SOBRE A METÁFORA À LUZ DA SEMÂNTICA COGNITIVA
A. ARIADNE DOMINGUES ALMEIDA (ariadnealmeida@uol.com.br)
UFBa - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

Apresentam-se resultados de pesquisas que concebem a metáfora como fenômeno do pensamento e da ação, não restrito à linguagem, à retórica e à literatura. Com base nesta concepção, Almeida estuda metáforas do ser humano, em textos medievais portugueses, enquanto Leite tece comentários sobre as metáforas do trabalho em cartas oitocentista e Carvalho faz exposição sobre as metáforas atreladas à conceptualização do ser homossexual masculino, em textos atuais. Os estudos seguem a Linguística Cognitiva e autores como Lakoff e Johnson (1980), Grady (1997), Fauconnier, Turner (2002) e Kövecses (2005).

Resumo #1

O ser humano é um animal? E o que mais? Metáforas da Idade Média
A. Ariadne Domingues Almeida (ariadnealmeida@uol.com.br)

O estudo, cujos resultados serão apresentados, objetiva o exame de metáforas conceptuais do homem em textos medievais portugueses; serão analisadas, entre outras, a metáfora conceptual O SER HUMANO É UM ANIMAL. O estudo é embasado no aparato teórico-metodológico da Linguística Cognitiva, em particular, da Teoria da Metáfora Conceptual, de modo a alicerçar-se nos trabalhos de Lakoff e Johnson (1980, [2002]), Grady (1997), Lakoff (1999). Além do mais, é baseado na teoria da Mesclagem Conceptual de Fauconnier e Turner (2002) e também nas premissas de Kövecses (2005, 2009), a respeito da inserção do plano social e cultural no âmbito das pesquisas acerca desse fenômeno. O corpus foi constituído por textos mediévicos, a exemplo da Chronica do Senhor Rei D. Pedro I, oitavo Rei de Portugal, de Fernão Lopes, datada do século XV. Depois de formado, esse corpus serviu de fonte para a coleta das expressões metafóricas que atualizavam as metáforas conceptuais do ser humano. De posse dessas expressões, analisaram-se os mapeamentos metafóricos, as projeções entre os domínios envolvidos no processo de metaforização, a relação entre mente corporificada, linguagem, cultura e sociedade, de forma a estabelecer diálogos entre teoria e prática e a chegar a resultados parciais acerca do fenômeno examinado e a constatar que o ser humano poderia ser conceptualizado, na Idade Média, como animais, a exemplo de insetos como mosquitos e moscas.

Resumo #2

Metáforas conceptuais do trabalho em cartas pessoais: um olhar a partir da perspectiva cognitiva
Eliane Santos Leite da Silva (elianesleite1@hotmail.com)

Pretende-se com este trabalho apresentar resultados parciais da pesquisa realizada pela autora, no âmbito de seu Doutoramento em Língua e Cultura pela UFBA, sobre o estudo das metáforas do trabalho em uma perspectiva diacrônica, à luz da Semântica Cognitiva, em especial, da Teoria da Metáfora Conceptual, proposta por Lakoff e Johnson (1980), Lakoff (1999). O projeto, que se encontra em fase inicial, propõe a composição de uma diacronia da metáfora do trabalho, através do estabelecimento de um corpus composto por distintos gêneros textuais de diferentes sincronias; assim, será possível analisar o desenvolvimento do conceito de trabalho ao longo do tempo, através da análise das metáforas conceptuais que emergem enquanto manifestações linguísticas nas expressões metafóricas. Parte do corpus é composta por cartas pessoais, datadas do final do século XIX, enviadas ao Barão de Jeremoabo, cujos remetentes são naturais do Sertão da Bahia - Brasil, e desenvolviam variadas atividades laborais, como vaqueiros, negociantes de couro e gado, políticos, dentre outras. Para fins de socialização, o presente estudo se concentrará nos documentos em que um dos remetentes implora ao Barão por uma oportunidade de trabalho, usando uma estrutura argumentativa que aponta para o uso de metáforas conceptuais sobre o trabalho, por exemplo, TRABALHO É SALVAÇÃO. Deste modo, espera-se que as manifestações linguísticas possibilitem uma melhor compreensão a respeito da conceptualização da cultura do trabalho sertanejo.

Resumo #3

Metáforas da homossexualidade no cotidiano brasileiro
Valter de Carvalho (valtinhodias@gmail.com)

A diversidade sexual no Brasil tem rendido inúmeros debates e o aparecimento dessa temática é constante na mídia e, de maneira geral, vem ganhando ainda maiores visibilidades nas redes sociais e blogs temáticos. Com isso, diferentes metáforas que envolvem o ser homossexual têm sido empregadas de forma pública, inclusive, em programas televisivos. Dessa maneira, partindo dos pressupostos teóricos da Semântica Cognitiva, a partir de Lakoff e Johnson ([1980] 2002, p. 45), compreende-se que a “metáfora está infiltrada na vida cotidiana, não somente na linguagem, mas também no pensamento e na ação”. Isso se tornou perceptível ao se analisarem alguns jornais online, postagens em redes sociais e blogs temáticos, registrando empregos de metáforas que envolveram a conceptualização do homossexual masculino ou, até mesmo, nomes que lhe são atribuídos, como uma forma de categorizá-lo, tal como “urso”, “enrustido”, “incubado”, como também a expressão “sair do armário”, por exemplo, que passou a ser usada sempre quando se faz referência ao homem ou mulher que assumiu publicamente sua predileção pelo mesmo sexo, dentre outras, buscando assim compreender melhor as relações semânticas que os falantes constroem no processo de conceptualização/categorização. Não obstante, não se pretendeu fazer qualquer tipo de julgamento sobre os comportamentos sociais dos homossexuais, como também da sociedade em relação a eles.


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