Em muitos estudos, costuma-se distinguir anáfora e dêixis discursiva apenas em termos de referencialidade, afirmando-se que, enquanto os anafóricos retomam, no contexto, entidades pontuais, os dêiticos discursivos recuperam conteúdos difusos. Tal separação deixa de contemplar, entretanto, o princípio da subjetividade pelo qual se definem todos os fenômenos dêiticos. Este trabalho tem o objetivo de apresentar a multifuncionalidade do elemento "assim" acionada pela dêixis discursiva, pois acreditamos que os usos do "assim" não ocorrem de forma arbitrária, ao contrário, num anseio de liberdade criadora, os falantes atualizam constantemente novos usos. É nesta direção que este estudo ganha sentido, uma vez que tem a pretensão de ser um exercício de operação sobre a linguagem, procurando demonstrar os novos papéis que o "assim" assume no discurso. A hipótese fundamental desta proposta é que a multifuncionalidade doo item "assim" são motivadas pela dêixis discursiva, que fornece indícios do espaço onde o destinatário poderá localizar esses elementos: ora na situação real da comunicação, ora no próprio contexto e ora no conhecimento comum compartilhado pelos interlocutores. Para realizar esta tarefa, o referencial teórico adotado é a Linguística Funcional com base em TRAUGOTT, HEINE (1991). O corpus no qual mapeamos as diversas possibilidades de uso do item linguístico "assim" é constituído por sessenta entrevistas orais do Projeto de Variação Linguística no Estado da Paraíba-VALPB (HORA e PEDROSA, 2001). No aspecto metodológico, construímos o objeto desta pesquisa por meio de método qualitativo, para entender as diferentes funções em que se empregam o item "assim" nas diversas situações comunicativas. Acrescentamos ainda uma perspectiva quantitativa baseado em cálculos percentuais a fim de verificar e comparar as subfunções examinadas. Os resultados verificados demonstram que a função do "assim" do discurso não é apenas referir. Pelo contrário, existem alguns sentidos que se reinventam a cada novo contexto de uso.
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