Trata-se, nesse trabalho, do processo de ditongação em sílabas travadas por /S/, perceptível em contextos como os demonstrados em ‘paz’ (pais ~ pas), ‘ arroz’ (arrois ~ arros)’, ‘rapaz’ (rapais ~ rapas) etc. Nesse sentido, parte-se da compreensão de ser esse um traço característico do Português Brasileiro, em face do Português Europeu e de outras variedades da língua portuguesa pelo mundo, conforme salientam autores como Leite de Vasconcelos (1970 [1901]), Sousa da Silveira (1940) e Silva Neto (1979). Entende-se, igualmente, que os condicionamentos linguísticos e extralinguísticos para esse fenômeno ainda não foram suficientemente explorados. Destacam-se aqui as relações entre a ditongação e as realizações fonéticas do /S/ em coda silábica, considerando-se, nesse caso, apenas as consoantes fricativas alveolares e as palato-alveolares. A respeito dessa variável, Bisol (1994) comenta que a ditongação seria fonologicamente possível diante dos dois tipos de consoante. Para analisar a ditongação, partiu-se dos dados recolhidos a partir dos inquéritos de 200 informantes ouvidos em 25 capitais brasileiras investigadas pelo Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB), importante empreendimento da Dialetologia brasileira. Utilizando-se dos métodos e técnicas da Sociolinguística Variacionista, codificaram-se e se submeteram os dados ao GoldVarb2001, programa específico para a realização de análises quantitativas de dados linguísticos, que forneceu os pesos relativos, a partir dos quais se avaliaram as interferências citadas. Tratando-se das impressões gerais acerca dos resultados, no contexto global das capitais, verificou-se que a ditongação era fortemente favorecida pelas realizações alveolares do /S/, enquanto encontrou restrição significativa quando a consoante era realizada como palatal. Em atenção às perspectivas particulares de cada capital, viu-se que as variantes vocálicas ditongadas são, também, mais prováveis diante de /S/ não palatalizado e, no que tange à diversidade dialetal, que ainda não são claras as convergências entre áreas mais ou menos palatalizantes e aquelas que apresentam maiores índices de ditongação.
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