PRÁTICAS DOCENTES E ESTRATÉGIAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE LEITURA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS A PARTIR DA INTERGENERICIDADE EM PUBLICIDADES
DALCYLENE DUTRA LAZARINI 1, DALCYLENE DUTRA LAZARINI 1 1. FAFISM - Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santa Marcelina, 2. UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais dalcylenedl@ig.com.br |
Ciente da precariedade/ausência de material didático específico para a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), na rede municipal de ensino de Juiz de Fora (MG) e a partir da própria experiência como professora dessa modalidade de ensino, optei por investigar como o gênero publicidade transgredido seria um instrumento de ensino-aprendizagem para promover uma leitura mais proficiente de alunos de diferentes faixas-etárias. Ou seja, devido à maleabilidade do gênero em questão por captar outros gêneros textuais/discursivos, fenômeno denominado de intergenericidade por Marcuschi (2002), a pesquisa objetivou provocar uma mudança nas práticas leitoras nas aulas de Língua Portuguesa e permitir aos alunos não apenas observar a construção linguística e icônica dos anúncios, mas também operar com a intergenericidade como uma estratégia argumentativa para a construção dos sentidos. Alicerçada em teorias que estudam os gêneros discursivos (Bakhtin, 1953/1994), a proposta do trabalho fundamentou-se na articulação entre teorias do texto (MARCUSCHI, 2002, 2008; KOCK, 2003) e análise do discurso (CHARAUDEAU, 1984, 2004; MAIGUENEAU, 1997, 2001), visto que o texto é a materialização do discurso. Além dessa articulação, metodologicamente, adotei a pesquisa-ação (THIOLLET, 1988; TRIPP, 2005) e a proposta das sequências didáticas desenvolvidas pelos teóricos Schneuwly, Noverraz e Dolz (2004). Os resultados me permitiram concluir que, o texto não verbal (a imagem) auxilia na construção do sentido, juntamente com o texto verbal, formando com ele uma unidade: um texto verbovisual. Além disso, o reconhecimento dos gêneros captados pelas publicidades esteia-se em conhecimentos prévios, advindos das experiências extra-escolares dos sujeitos de pesquisa. Sendo que, mesmo não explicitando o que entendem por gêneros, os alunos foram capazes de reconhecê-los e de operar produtivamente.
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