Este estudo, vinculado ao Projeto Práticas de leitura e escrita em português língua materna, examina as vozes sociais, ideológicas e políticas, e seu papel na construção de uma identidade do português escrito em Moçambique. De forma específica, o estudo aborda as diferentes fases que o País atravessou no âmbito da linguagem, que permitem entender o estágio atual do português escrito.
Em termos teórico-metodológicos, a análise tem como base os trabalhos de Círculo de Bakhtin, e lida com tipos particulares de discursos que evocam e desencadeiam questões mais amplas relativas ao poder e à construção de identidades. Assim, constitui material de análise, todos os documentos oficiais que abordam, de certa forma, aspectos da linguagem, no período compreendido entre a década de 1960 e a década de 2010, nomeadamente: plano curricular de educação do período colonial, documentos de orientação do movimento de luta pela independência, 1ª e 2ª constituições da República, planos curriculares de educação do período pós-colonial.
Os resultados parciais apontam a existência de quatro fases: (i) fase colonial: que se destaca pela hostilização do uso das línguas bantas; (ii) fase de luta anticolonial: em que se registram os primeiros sinais de apoderamento do português pelos moçambicanos; (iii) fase de proclamação da Independência: em que se registra uma política linguística de relativo apagamento das línguas bantas em favor do português; (iv) fase de redefinição da política linguística: em que se registram, ao mesmo tempo, sinais de potencialização do português e de emancipação das línguas bantas.
Palavras-chave: Moçambique; discurso; português escrito
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