Ao escrever, o enunciador deixa pistas ao leitor da ação do interdiscurso (PÊCHEUX, 2009), que faz os sistemas de pensamentos interiorizados parecerem naturais, mas também deixa marcas de uma parada reflexiva nas palavras, de desdobramentos metaenunciativos (AUTHIER-REVUZ, 2004) que demonstram a realização da gestão enunciava relativa à imagem do um, a relação dialógica com outro e também com suas próprias palavras. As marcas da presença do outro, a heterogeneidade marcada (AUTHIER-REVUZ, 2004) compreende a uma negociação inevitável na construção da heterogeneidade como elemento constitutivo de práticas discursivas. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é problematizar a escrita na universidade em dois diferentes momentos do processo de formação de pesquisadores em linguística: trabalho de conclusão de curso e dissertação de mestrado disponíveis no portal da CAPES, a fim de verificar a relação estabelecida pelo sujeito com os discursos científicos que circulam. O método comparativo será utilizado para relacionar as produções de pesquisadores nas duas diferentes etapas citadas, uma vez que tais escritas põem em jogo as formas de ler, os modos de apropriação dos sentidos, as formas de tentar ver e dizer o novo. No corpus analisado, a filiação à Linguística é um ponto comum no percurso de cada pesquisador em formação, cabe então verificar em que se diferenciam, que outros discursos se agregam ao dizer do pesquisador, até que ponto o sujeito acrescenta algo ao discurso científico já construído, considerando a necessidade de ultrapassar o plano da exposição de informações, superar uma percepção ingênua do fenômeno, ou seja, ultrapassar os obstáculos epistemológicos para a formação do espírito científico (BACHELARD, 1996). Os estudos de Pêcheux, Authier-Revuz serão a base teórica deste trabalho.
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