Esta comunicação apresenta algumas pesquisas em desenvolvimento por membros do Grupo de Estudos Discurso & Gramática/UFRN, cujo tema é construções de estrutura argumental. Nesse sentido, serão abordadas as construções ditransitiva, transitiva e medial. Uma tese central da Gramática de Construções, tal como formulada por Goldberg (1995), é que orações simples são instâncias de construções, pareamentos de forma-significado que existem independentemente de verbos particulares. De acordo com essa visão, as construções de estrutura argumental, associadas a cenas dinâmicas, são uma subclasse especial de construções que fornecem os meios básicos de expressão oracional em uma língua. Nessa linha, a construção ditransitiva conceitualiza um típico evento de transferência, em que um participante animado (Sujeito) transfere um objeto (Objeto Direto) para uma entidade humana recipiente (Objeto Indireto). Por sua vez, a construção transitiva denota um evento de causação, em que um participante animado (Sujeito) age a fim de causar uma mudança de estado ou condição num participante que pode ou não ser animado (Objeto Direto). Finalmente, a construção medial também descreve um evento de causação, em que um participante não-humano (Sujeito) é afetado por uma ação que não emana dele. Enquanto as duas primeiras codificam perspectivas semânticas agentivas, a construção medial expressa uma perspectiva distinta, não-agentiva. O tratamento desses padrões oracionais como instanciações de construções permite capturar o fato de que a própria construção tem significado, servindo como um esquema que reúne o que é comum a um conjunto de verbos. O uso do mesmo padrão sintático com diferentes verbos resulta em economia linguística, uma espécie de “atalho cognitivo” que é construído socialmente e é capaz de reduzir as demandas do processamento cognitivo.
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