P23. Produção do texto em perspectiva lexicogramatical: a questão da seleção vocabular (Comunicações dentro de Projetos)

A INCONGRUÊNCIA LEXICAL EM FENÔMENOS INSÓLITOS: UMA ANÁLISE DO ROMANCE SOMBRAS DE REIS BARBUDOS, DE JOSÉ J. VEIGA
ELEONE FERRAZ DE ASSIS 1
1. UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
leo.seleprot@gmail.com



Este estudo dedica-se a compreender a tessitura textual dos fenômenos insólitos no romance Sombras de Reis Barbudos, de José J. Veiga, com base na associação entre a Teoria da Iconicidade Verbal e a Linguística de Córpus. Centra-se, especificamente, nas marcas linguísticas que representam ideias ou conduzem o intérprete à percepção de que o insólito é construído no texto por meio de pistas icônicas. Merecem especial interesse, sobretudo, os substantivos, que, por serem palavras com alta iconicidade, participam da construção/representação de fenômenos insólitos e criam, por meio da trilha léxica, o itinerário de leitura para o texto-córpus. Para que os resultados fossem significativos, apoiou-se nos recursos digitais da Linguística de Córpus (SARDINHA, 2004; 2009), que possibilitaram realizar uma pesquisa baseada em um córpus. A utilização da Linguística de Córpus como metodologia permitiu levantar, quantificar e tabular os signos que corroboram com a compreensão da incongruência e da iconicidade lexical dos eventos insólitos em um texto literário, identificando os substantivos-nódulos e seus colocados para avaliá-los quanto à incompatibilidade das escolhas lexicais realizadas por José J. Veiga em relação às estruturas léxico-gramaticais da Língua Portuguesa. O estudo demonstra que a incongruência e a iconicidade lexical são delineadas a partir da seleção vocabular a que tem acesso por meio da Linguística de Córpus. A análise comprova que os substantivos, como categorias linguísticas caracterizáveis semanticamente, têm a função designatória ou de nomeação na arquitetura de um texto insólito. Revela também que a incongruência lexical constitui-se em uma chave para a construção do ilógico, mágico, fantástico, misterioso, sobrenatural, irreal e suprarreal no texto-córpus.


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