P19. Fonologia: teoria e análise (Comunicações dentro de Projetos)

TEORIA DA MARCA NOS PROCESSOS FONOLÓGICOS
TERESINHA DE MORAES BRENNER 1
1. UFSC - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
teresinha.brenner@ufsc.br



Propõe-se uma breve revisão dos processos fonológicos do Português, tendo como parâmetro a Teoria da marca. Para descrição dos fenômenos fonológicos, utiliza-se o Modelo Multilinear e se delimita como corpus a fala de pescadores e rendeiras da Ilha de Florianópolis. Parte-se da hipótese de que o elemento marcado favorece a variação linguística. Para estudo do quadro consonantal, observam-se dois axes, ambos em observância à oposição que estabelece a sonoridade: na linha horizontal, a Categoria de ponto de articulação x a de modo, na vertical. No sistema vocálico, interfere a propriedade [altura], com tendência à construção de um triângulo de três elementos não-marcados nas posições extremas, com exclusão de quatro mediais, marcados. Nesse quadro, se confirmam muitos processos assimilatórios e dissimilatórios do Português, em que o segmento [alto], [não-marcado] se comporta como desencadeador de processos e o [médio], [marcado], segue o comando. Sustenta-se a hipótese de que a teoria da marca justifica, em grande parte, os processos fonológicos. Mas à medida que se analisa o fenômeno, chega-se à conclusão de que outros fatores interagem como intervenientes. Os segmentos consonânticos se comportam diferentemente no ataque e na rima silábicos. Importa para um segmento a qualificação da marca para modo, ponto e posição silábica. Por outro lado, a propriedade vocálica de [altura], delineadora da marcação contrastiva de uma vogal, a situa num contexto de dependência do contorno prosódico da frase. Quanto à proposição inicial, pondera-se que, embora a marca favoreça o processo fonológico, o elemento não-marcado também propicia a variação, com interveniência ou não de outros fatores.


932