Tradicionalmente, o português é considerado uma língua que se organiza por meio de uma estrutura do tipo sujeito/predicado, no entanto, descrições recentes têm mostrado um novo comportamento sintático dessa língua, o qual rompe a estrutura SVO e, em seu lugar, há um uso alternativo, cuja estrutura do tipo tópico/comentário parece ganhar espaço. O presente trabalho objetiva fazer uma revisão de literatura em gramáticas do português brasileiro acerca do tratamento dado às construções de tópico marcado no nível sentencial. Para tanto, selecionamos materiais publicados a partir da década de 90, todos baseados em estudos descritivos do PB, portanto, excluem-se desse estudo os manuais de gramática normativa. Constituem objeto de análise de nossa revisão as seguintes obras: Perini (1996), (2006), (2008) e (2010); Neves (2000); Berlink, Duarte e Oliveira (2009); Castilho (2010) e (2012); Jubran (2006); além da obra Gramática do Português Falado, sob a organização de Castilho (2002), Ilari (2002), Castilho (2002), Kato (2002), Koch (2002), Neves (2002) e Abaurre e Rodrigues (2002). Em geral, os resultados a que chegamos apontam não só para um novo olhar acerca da estrutura do PB, mas também para uma nova estruturação sintática (tópico-comentário), para a qual a linguística tem dedicado estudos ainda espaços, por um lado; por outro, há o reconhecimento de que as construções de tópico em português do Brasil, ao contrário do que rezam os gramáticos, que as concebe como criação para efeitos estéticos, precisam ser mais bem descritas e devem ser inseridas nas agendas de estudos linguísticos, conforme sugere Castilho (2012).
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