S1. Análise de estruturas linguísticas - Sintaxe (Comunicações)

A PONTUAÇÃO EM CONSTRUÇÕES COORDENADAS DO PORTUGUÊS: MOTIVAÇÕES SINTÁTICAS E TEXTUAIS
ELIANE MOURÃO 1, GUSTAVO FECHUS MONTEIRO 2
1. UFOP - Universidade Federal de Ouro Preto, 2. IFMG - OP - Instituto Federal de Minas Gerais - Ouro Preto
elianemourao15@gmail.com



Nosso trabalho constitui um estudo do emprego de sinais de pontuação com as construções coordenadas sindéticas do português brasileiro, tanto as que envolvem a coordenação de sintagmas como as que são formadas pela coordenação de orações. Tomamos como corpus exemplares da revista Veja e do jornal Folha de S. Paulo, periódicos de grande circulação no Brasil que podem ser vistos como referência de uso da norma culta e, portanto, como referência com respeito ao emprego dos sinais de pontuação. Os dados extraídos desse corpus foram submetidos a exames qualitativos e quantitativos que indicaram três tipos de construção, aos quais se associam padrões de uso dos sinais de pontuação: construções com "e" e "ou", que excluem a pontuação; construções com "mas", que privilegiam o uso de vírgula; construções com elementos adversativos e conclusivos, que privilegiam o uso de ponto-final. A separação das construções em três tipos está em consonância com estudos segundo os quais a coordenação propriamente dita é realizada no português pelos conectores "e" e "ou", enquanto os elementos tradicionalmente chamados de conectores adversativos e conclusivos teriam, de fato, natureza adverbial e, assim, exerceriam uma função na coesão sequencial do texto. Por sua vez, as construções com "mas" teriam um papel intermediário entre a coordenação e a coesão sequencial. Quanto ao emprego dos sinais de pontuação nos três tipos de construção elencados, explicamos tanto os padrões como a desobediência a eles por meio da noção de paralelismo, que adotamos não apenas para caracterizar ocorrências sintáticas e semânticas, mas sobretudo procedimentos textuais e discursivos. Dessa perspectiva, nosso trabalho se situa no quadro teórico da gramática funcional, em que se associam razões gramaticais, textuais e discursivas na compreensão da organização da língua.


710