S3. Análise do Discurso (Comunicações)

A CONFIGURAÇÃO SOCIOSSEMIÓTICA DA RECLAMAÇÃO EM CARTAS DO LEITOR NA IMPRENSA DE BAIRRO PAULISTANA
PAULO ROBERTO GONÇALVES SEGUNDO 1
1. USP - Universidade de São Paulo
paulosegundo@uol.com.br



Este trabalho, inserido no âmbito do Projeto História do Português Paulista, visa a apresentar os resultados referentes à análise da estrutura retórico-teleológica de reclamação, vigente em textos de mobilização da voz do leitor na imprensa de bairro paulistana, coletados em dois momentos históricos: no período totalitário e na primeira década do século XXI. Tal modalidade de imprensa prima pela criação de vínculos de pertença e/ou de identificação, pautados em uma construção discursiva que destaca a experiência comum entre produção e consumo textual, assentada em representações e avaliações complacentes em relação ao que se pressupõe acerca da comunidade leitora, em uma atitude contínua de demonstração da capacidade do periódico em atender as reivindicações e as demandas do público. Por essa razão, é de suma relevância que haja espaço, nessas publicações, para que o leitor seja subtraído do anonimato e encontre espaço para a amplificação da sua voz, tanto em termos de seus posicionamentos críticos ou laudatórios perante o comportamento humano, quanto em termos de suas demandas e necessidades, muitas vezes, ignoradas pelos órgãos públicos e pelas organizações privadas. Assim, a partir de uma abordagem sistêmico-funcional (Halliday & Matthiessen, 2004; Martin & White, 2005) e cognitiva (Talmy, 2000; de Mulder, 2007), apoiada em análises quantitativas e qualitativas que permitem visualizar a combinatória de padrões de recursos linguísticos para uma abordagem dinâmica da estruturação textual, verificou-se a forte relevância dos padrões de atitude ― ligados à avaliatividade ― e de modalidade na configuração de um quadro negativo da realidade presente e na incitação de mudanças práticas, assim como a emergência de uma estrutura retórico-afetiva de indignação, marcada por oito estágios argumentativo-avaliativos, que embasa a formação de uma gama de textos dessa orientação teleológica.


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