Este texto aborda, com base na Teoria/Análise Dialógica do Discurso de Mikhail Bakhtin e seu Círculo, questões relativas à formação do estudante de Fonoaudiologia no atendimento clínico ao paciente com queixas vocais, ou seja, sujeitos com diferentes queixas na produção da voz. O objetivo é discutir momentos constitutivos do processo de formação de um grupo de alunos de graduação em Fonoaudiologia, em um estágio supervisionado na área clínica da voz, com o intuito de analisar as vozes que circularam no estágio e os efeitos de sentidos, presentes nessas vozes, que ajudaram a constituir os discentes ali presentes. A escolha do estágio supervisionado se justifica porque este é um espaço em que a teoria e a prática clínica interagem, criando entre elas diversos momentos de tensão, contradição e choque. O estágio leva a um repensar da parte teórica, frente ao olhar singular que o atendimento clínico e a própria supervisão dos casos atendidos, necessitam. Para tanto foram filmadas as supervisões, os atendimentos clínicos e realizadas entrevistas com um grupo de alunos, professor e pacientes que compuseram por um semestre um estágio supervisionado. As primeiras análises apontam que os enunciados do professor e alunos refletiram e refrataram diferentes possibilidades de se pensar a clínica na área da voz e a supervisão. Na maior parte do tempo, o foco das enunciações esteve em conseguir chegar ao diagnóstico de diferentes patologias vocais, e não em perceber, acolher e ajudar a (re)significar os sujeitos ali presentes, não se levando em conta a sócio-historicidade constitutiva do paciente, arquitetada nos contextos das interações sociais.
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