S1. Análise de estruturas linguísticas - Semântica (Comunicações)

TOPICALIZAÇÃO DE INDEFINIDOS E ESTRATÉGIAS DE RESPOSTA NO PORTUGUÊS BRASILEIRO
FERNANDA ROSA DA SILVA 1
1. USP - Universidade de São Paulo - FFLCH
fernandarosa2006@yahoo.com.br



O presente trabalho busca investigar as inferências semânticas e pragmáticas de contextos do português brasileiro (PB) em que sintagmas nominais indefinidos sejam topicalizados. Mais precisamente, esta pesquisa procura responder a três questões: (i) quais as funções da estrutura informacional: tópico ou foco, que sintagmas indefinidos assumem ao serem deslocados?; (ii) é possível sintagmas indefinidos assumirem função de tópico, já que pragmaticamente indicam um novo elemento no contexto? (iii) o que leva o falante a optar por pronunciar uma sentença com o elemento indefinido deslocado para o início da sentença, em vez de pronunciá-la em sua ordem canônica? Quais implicaturas estão em jogo? Observe o seguinte contexto: (1) A: O João leu um artigo do Chomsky? B: Um artigo, ele leu. No diálogo acima, o falante B tem a opção de responder a questão em A, respeitando a ordem linear da sentença. No entanto, se opta por deslocar o DP, realizando assim uma operação mais complexa, é porque ele deseja inferir informações além das que são diretamente trazidas ao contexto. Tais informações são denominadas por Grice (1975) de implicaturas conversacionais. A resposta de B, acompanhada de um contorno entonacional específico, indica que o falante dá a informação de que determinado artigo de Chomsky, o João leu, no entanto deixa em aberto outros possíveis artigos do Chomsky. Tal resposta indica que B está fazendo uso de uma resposta parcial de uma pergunta mais ampla do que a dada no contexto (cf. Roberts (1996), Büring (1999), (2003)). Nossa proposta, baseando-se Büring (1999/2003) e Roberts (1996) é que respostas em que o sintagma indefinido é deslocado em conjunto com uma entonação típica apresentam uma estratégia de resposta por parte do falante que geram uma implicatura conversacional. Dependendo do contexto, pode se gerar implicatura de ignorância (Büring (2003)), sobreinformação (Rosa-Silva (2012)) ou denegação (Menuzzi (2012)).


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