Projeto 4

 

GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS

 

Coordenadora:

Vânia Cristina Casseb Galvão (UFG/CNPq) - vaniacassebgalvao@gmail.com

 

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XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ALFAL

Bogotá D.C. - Colômbia

24-28 de julho de 2017

 

 

PROGRAMAÇÃO GERAL

 

DIA/HORÁRIO

ATIVIDADE

25/07

 

8h - 8h20

 

 

8h20 - 09h40

 

 

 

 

 

9h40 - 10h25

 

 

10h25 - 10h35

 

10h35 - 11h20

 

 

11h20 - 12h05

 

 

12h05

 

 

 

Especificidades do português. A proposta do Projeto Gramática do Português para a Alfal/2017

Vânia Cristina Casseb Galvão (UFG/CNPq/FAPEG)

 

Aspectos políticos, pedagógicos e linguísticos da produção de uma gramática do português brasileiro
Ataliba T. de Castilho (USP/UNICAMP/CNPq/FAPEG)

Maria Helena de Moura Neves (UNESP/Mackenzie/CNPq)

Roberto Gomes Camacho (UNESP/CNPq)

Vânia Cristina Casseb Galvão (UFG/CNPq/FAPEG)

 

Estrutura linguística e processos cognitivos gerais

Maria Angélica Furtado da Cunha (UFRN)

 

Intervalo

Pronomes locativos na formação de construções da gramática do português brasileiro

Mariangela Rios de Oliveira (UFF)

 

Relação entre pragmática e morfossintaxe: a ordenação de constituintes do sintagma

Erotilde Goreti Pezatti (UNESP/SJRP)

Almoço de negócio

 

26/07

 

8h - 8h30

 

 

8h30 - 9h

 

 

9h - 9h30

 

 

9h30 - 10h

 

 

10h - 10h10

 

10h10 - 10h40

 

 

10h40 - 11h10

 

 

11h10 - 11h55

 

 

 

11h55 - 12h

 

 

A gramaticalização do item “mesmo” em Quirinópolis-Goiás, centro-oeste brasileiro

Marília Silva Vieira (UEG)

 

A continuidade referencial e tópica nos livros didáticos de história

Talita Moreira de Oliveira (UFRJ)

 

Relações de transparência e opacidade no português brasileiro

Joceli Catarina Stassi Sé (UFSCar)

 

Restrições de acessibilidade das orações relativas em textos iniciais infantis

Gabriela Oliveira-Codinhoto (UFAC)

 

Intervalo

 

Propriedades semânticas de modificadores de estados de coisa

Helker Nhoato (UNESP – SJRP)

 

Ciclo de controle cognitivo e gramaticalização de completivas do português

Gisele Cássia de Sousa (UNESP-SJRP)

 

“Meu irmão perdeu em Goiânia, ele não sabe andar direito aqui”

Déborah Magalhães de Barros (UEG)

Vânia Cristina Casseb Galvão (UFG/CNPq/UEG)

 

Encaminhamentos

 

27/07

 

8h30 - 9h

 

 

9h - 9h30

 

 

9h30 - 10h

 

 

10h - 10h15

 

10h15 - 11h

 

 

11h - 12h

 

 

 

Grau do verbo e mudança construcional

José Romerito Silva (UFRN/D&G)

 

Padrão construcional de relativas restritivas no português brasileiro

Edvaldo Balduino Bispo (UFRN/D&G)

 

A esquematização de construções subjetivas

Nilza Barroso Dias (UFRJ)

 

Intervalo

 

Uma consideração sistêmico-discursiva do uso de advérbios em diferentes gêneros em língua portuguesa

Maria Helena de Moura Neves (Mackenzie/UNESP/CNPq)

 

Debates, deliberações e encerramento

 

Observações: A programação do Projeto 4 - “Gramática do Português” consta de uma roda de conversa (1h20min), quatro conferências (45 min. cada) e comunicações individuais (25 minutos de apresentação e 5 min. para discussão).

 

 

 

RESUMOS

 

 

1.      Aspectos políticos, pedagógicos e linguísticos da produção de uma gramática do português brasileiro

Ataliba T. de Castilho (USP/UNICAMP/CNPq/FAPEG)

ataliaba@uol.com.br

Maria Helena de Moura Neves (UNESP/Mackenzie/CNPq)

mhmneves@uol.com.br

Roberto Gomes Camacho (UNESP/CNPq)

camacho@ibilce.unesp.br

Vânia Cristina Casseb Galvão (UFG/CNPq/FAPEG)

vaniacassengalvao@gmail.com

Nesta roda de conversa, Maria Helena de Moura Neves e Ataliba Castilho, dois importantes gramáticos e pesquisadores do português brasileiro, são instigados a discutir aspectos políticos, pedagógicos e linguísticos suscitados tanto no processo de criação quanto no de publicação de suas obras gramaticais de base funcionalista, respectivamente, a “Gramática de Usos do português” e a “Nova gramática do português brasileiro’ (2010). Alguns pressupostos orientam a condução das discussões: a definição de uma obra gramatical implica a opção por um determinado aporte teórico; a atenção a processos criativos ativados pelos usuários na interação social é uma atitude de engajamento político; gramáticas de uso da língua ganham especial ressonância na formação escolar, espaço de formação identitária e cidadã.

 

 

2.      Meu irmão perdeu em Goiânia, ele não sabe andar direito aqui”

 

Déborah Magalhães de Barros (UEG)

deborah_barros@hotmail.com

Vânia Cristina Casseb Galvão (UFG/CNPq/UEG)

vaniacassebgalvao@gmail.com

 

A supressão de pronomes é uma especificidade da fala brasileira e se mostra na gramática em diferentes contextos e variedades. Nesta comunicação, trataremos desse fenômeno no contexto da voz reflexiva. Apresentamos uma descrição e análise de usos da fala goiana, uma variedade do português brasileiro que tem como uma de suas especificidades a elaboração estrutural da voz reflexiva sem a marca pronominal, ao contrário do que preconiza a tradição gramatical. Esse fenômeno não é exclusivo da fala goiana e já foi descrito por outros estudiosos, como, D’Albuquerque (1984), Galves (1986), Nunes (1991), Rocha (1999), Melo (2005) e Pereira, 2007), mas Barros (2010, 2016) verificou altíssima frequência de construções reflexivas morfologicamente não marcadas nessa variedade. A partir de uma abordagem construcional (Goldberg, 2006; Croft, 2001, Traugott e Troudale, 2013 etc), descrevemos os padrões construcionais atualizados nesses usos e apresentamos correlações desse fenômeno com outros que definem a gramática do português brasileiro.

 

 

3.      Padrão construcional de relativas restritivas no português brasileiro

 

Edvaldo Balduino Bispo (UFRN/D&G)

edbbispo@gmail.com

 

Discuto, neste trabalho, formas de organização de orações relativas restritivas desenvolvidas no português brasileiro (PB) em perspectiva diacrônica. O objetivo é identificar um padrão esquemático mais geral que sancione diferentes formas de codificação das relativas e correlacioná-las a funções cognitivas e interacionais. O quadro teórico-metodológico no qual a discussão se assenta é a Linguística (Funcional) Centrada no Uso, tal como delineada em Martelotta (2011) e Furtado da Cunha e Bispo (2013). Ademais, agrego contribuições da Gramática de Construções, nos moldes de Croft (2001), Traugott e Trousdale (2013) e Hilpert (2013). Os dados empíricos para análise, exemplares do português escrito nos séculos XVIII, XIX e XX, são extraídos de cartas particulares escritas no estado de Minas Gerais, que fazem parte do corpus mínimo do projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB) e do corpus Discurso & Gramática (FURTADO DA CUNHA, 1998). Os resultados mostram um esquema geral que licencia duas estruturas subesquemáticas, uma das quais se caracteriza pela presença/ ausência de preposição antes do elemento introdutor da relativa, enquanto a outra é marcada pelo uso de pronome cópia correferente a esse elemento. Economia versus expressividade, proximidade versus distância social entre correspondentes, além de outros aspectos, estão relacionados aos usos desses padrões esquemáticos e, mais particularmente, a microconstruções por eles sancionadas.

 

 

4.      Transitividade verbal em editoriais de jornal à luz da gramática de construções

 

Eleone Ferraz de Assis (UFG/UEG)

leo.seleprot@gmail.com

 

Esta comunicação dedica-se, com base nos postulados de Goldberg (1995, 2006), analisar como o fenômeno da transitividade verbal se manifesta nos editoriais do jornal O Popular, de Goiânia, GO. O estudo trata a organização transitiva nesses editoriais com base nos aportes teóricos da Gramática de Construções (GOLDBERG, 1995, 2006), ampliando a compreensão da transitividade, com o intuito de verificar como o pareamento de forma (sintática) com o significado (funções semântica, pragmática e discursiva) se articula para produzir sentidos nesses textos. A hipótese é a de que o locutor constrói sentidos a partir de uma matriz conceitual, mais transitiva, que fornece material cognitivo para a representação de eventos que podem ser descritos por meio de um continuum + concreto> + abstrato, tendo como molde a predicação transitiva básica, SN1 V SN2. A descrição e a análise do modo como a transitividade se apresenta nesses textos fornecerão dados para possíveis aplicações no ensino de língua portuguesa dos princípios e categorias cognitivo-funcionais do tratamento da transitividade como um fenômeno construcional. Fundamenta-se a discussão na Gramática de Construções (LANGACKER, 1987, 2005, 2008; GOLDBERG, 1995, 2006) e na teoria de gêneros textuais (BAWARSHI; REIFF, 2013; DIONISIO; MACHADO; BEZERRA, 2010; MARCUSCHI, 2008; SOUSA, 2012; SWALES, 2004). A pesquisa demonstrará que as construções do sistema de transitividade verbal no editorial de jornal são pareamentos entre forma e significado arquitetados a partir de um mapeamento mental da estrutura de predicado já mais ou menos estruturada que determina a posição do enunciador e produz os efeitos de sentidos desejados no leitor.

 

 

5.      Relação entre pragmática e morfossintaxe: a ordenação de constituintes do sintagma

 

Erotilde Goreti Pezatti (UNESP/SJRP)

pezatti@sjrp.unesp.br

 

Considerando que conceitos que envolvem motivações discursivas raramente são levadas em conta pela tradição gramatical, devido mesmo à proposta, aos objetivos, à fundamentação científica e metodológica que caracterizam esse modelo teórico, esta conferência apresentamos os resultados do estudo que investiga a ordenação no sintagma dos marcadores interpessoais, que tradicionalmente têm sido denominados de palavras denotativas, expletivos, advérbios de inclusão e de exclusão etc. Tomando ocorrências reais de uso, extraídas de cartas e anúncios dos séculos XIX e XX, contidos no corpus do Projeto para a História do Português Brasileiro, que se encontra catalogado na Plataforma de Corpora (https://sites.google.com/site/corporaphpb), este estudo mostra que palavras como mesmo, até, ainda, também, unicamente, exclusivamente, só, somente, principalmente, especialmente e construções clivadas constituem estratégias linguísticas usadas pelo falante para atingir seu objetivo comunicativo, com base nas expectativas que tem do estado mental do destinatário. Assim, baseados no aparato teórico a Gramática Discursivo-Funcional, (Hengeveld; Mackenzie, 2008), os resultados revelam que essas palavras, apesar de incluídas sob o mesmo rótulo na tradição gramatical, servem a propósitos distintos: constituem uma estratégia do falante para i) corrigir uma informação pragmática do destinatário (, apenas; ii) acrescentar outra informação que considera importante o destinatário conhecer (também); iii) selecionar a informação mais importante para o destinatário inserir em sua informação pragmática (especialmente, principalmente, sobretudo); iv) substituir uma informação incorreta pela que ele considera a correta (é...que); e v) salientar constituintes (mesmo, até, ainda). Além disso, cada uma dessas estratégias assume uma posição específica dentro do sintagma que escopa, conforme proposta de Pezatti (2014). Os resultados mostram que, de modo geral, os marcadores de Ênfase, de Exemplificação e de Contraste posicionam-se sempre em PI do sintagma. Por outro lado, o operador de Ênfase é...que ocupa sempre a posição PF do sintagma, retroagindo seu escopo para trás.

 

 

6.      Restrições de acessibilidade das orações relativas em textos iniciais infantis

 

Gabriela Oliveira-Codinhoto (UFAC)

gabrielaolvr@gmail.com

 

Este trabalho tem como objetivo a análise das orações relativas em textos produzidos no Ensino Fundamental I por 14 crianças de duas escolas de São José do Rio Preto-SP, de modo a estabelecer as restrições de acessibilidade de tal construção. A acessibilidade das orações relativas é tradicionalmente estudada a partir da Hierarquia de Acessibilidade (HA) de Keenan e Comrie (1977), que elege, essencialmente, motivações morfossintáticas que condicionam a acessibilidade às relativas. Em conformidade com o ponto de vista funcionalista adotado aqui, o fundamento principal de nossa hipótese não está somente na codificação morfossintática em termos de relações gramaticais, como assumem Keenan e Comrie (1977), mas nos processos de formulação de natureza pragmática e semântica, por um lado, e cognitiva, por outro, como postulam Dik (1997) e O'Grady (2011). A análise dos dados da escrita inicial infantil permite confirmar a hipótese de O’Grady (2011) de que não há, em línguas de relativas pós-nominais como o português, uma supremacia de acessibilidade do sujeito em detrimento do objeto, como prevê a HA, uma vez que ambos dispõem do mesmo estatuto cognitivo e funcional: a principal diferença entre as duas funções sintáticas mais básicas HA é motivada por diferenças semânticas do item relativizado. Além disso, desenvolvimento do processo de escolarização, mais do que propiciar aos alunos o conhecimento de traços e propriedades morfossintáticos das relativas, ativa um domínio maior das variáveis contextuais de uso, o que gera, consequentemente, um acréscimo não só de frequência, mas também de qualidade da informação construída.

 

 

7.      Ciclo de controle cognitivo e gramaticalização de completivas do português

 

Gisele Cássia de Sousa

(UNESP-São José do Rio Preto)

giselecs@ibilce.unesp.br

 

O objetivo deste trabalho é analisar motivações cognitivas subjacentes à gramaticalização de construções com complemento oracional. Pretende-se, especificamente, demonstrar que as formas de redução de complexos completivos bioracionais, que se tornam mono-oracionais, resultam da atuação do modelo cognitivo do Ciclo de Controle, proposto por Langacker (1999, 2004, 2013) e que se aplica a diferentes tipos de estruturas gramaticais. Os dados analisados são de construções com o verbo ver extraídas de amostras de fala disponíveis no “Corpus do Português” (DAVIES, 2006). As análises revelam que, para as completivas em foco, o domínio ativado pelo significado da construção (físico, mental, discursivo) determina o tipo de entidade alvo do controle e da gramaticalização envolvidos. Também a depender do alvo do controle cognitivo, ativam-se significados subjetivos e intersubjetivos que passam a compor as construções mais gramaticalizadas no processo. De modo mais amplo, o estudo, que se desenvolve sob uma perspectiva cognitivo-funcional, pretende contribuir para o entendimento da subordinação e de seu real funcionamento no sistema gramatical do português.

 

 

8.      Propriedades semânticas de modificadores de estados de coisa

 

Helker Nhoato (UNESP - IBILCE)

helker.nhoato@gmail.com

 

O objetivo principal deste trabalho é desenvolver um estudo analítico da natureza semântica dos modificadores de núcleo nominal, restringindo-se àqueles que denotam entidades de segunda ordem ou estados de coisas (LYONS, 1977; HENGEVELD, 2008), com base nos pressupostos teórico-metodológicos da Teoria da Gramática Funcional (DIK, 1989; 1997) e da Gramática Discursivo-Funcional (HENGEVELD; MACKENZIE, 2008). A amostra a ser analisada é extraída do córpus Iboruna coletado pelo Projeto ALIP. A investigação aqui proposta prioriza, no SN, as propriedades pragmáticas e semânticas dos adjetivos como uma motivação para evocar um subato de referência e para estabelecer uma denotação, respectivamente nos níveis Interpessoal e Representacional, com reflexos para a constituição formal dos constituintes no nível Morfossintático.

A análise da relação que os modificadores estabelecem com esse tipo semântico de núcleo nominal se baseia também na classificação proposta por Negrão et alii (2014), que separam os adjetivos em argumentais e predicadores de núcleo, ou seja, itens lexicais que saturam uma posição aberta pelo substantivo deverbal e os que abrem posições temáticas que são, por seu lado, saturadas por um substantivo-núcleo. A análise semântica dos modificadores baseia-se na tipologia postulada por Rijkhoff (2002) e por Castilho (2010). Os resultados destacam que sintagmas nominais, cujos núcleos são estados de coisa, têm também como modificadores adjetivos predicativos psicológicos e não-psicológicos e adjetivos predicativos quantificadores. Portanto, nomes de segunda ordem não têm o referente nuclear modificado apenas por adjetivos de natureza argumental. Há elementos satélites que abrem posições temáticas e que são saturadas pelo referente nuclear.

 

 

9. Relações de transparência e opacidade no português brasileiro

 

Joceli Catarina Stassi Sé (UFSCar)

jocelistassise@hotmail.com

 

Este trabalho investiga relações de transparência e opacidade no português brasileiro, à luz da Gramática Discursivo-Funcional (HENGEVELD; MACKENZIE, 2008). Parte-se da hipótese que o PB seria uma variedade mais transparente, devido ao rico contato histórico com outras línguas em seu processo de formação. Compreendendo transparência como uma relação biunívoca entre forma e significado, o propósito desta pesquisa é investigar a variedade brasileira para estabelecer seu grau de transparência a partir da testagem dos parâmetros morfossintáticos apontados por (HENGEVELD, 2011a). Para atingir tal objetivo mapeou-se o sistema linguístico do PB, investigando fenômenos desse nível de codificação, tais como: alçamento; expletivo; cópia de marcação de tempo; gênero, declinação; conjugação; concordância e morfologia fusional, bem como seu tratamento nas gramáticas tradicionais e seu uso no discurso, observando a ocorrência de redundância, desintegração de domínio, fusão e formas sem significado (LEUFKENS, 2015). Esta etapa da pesquisa se restringiu ao NM com a intenção de isolar os parâmetros referentes a esse nível e testá-los na sistematização e determinação das propriedades opacas e transparentes dessa variedade. O corpus foi composto por inquéritos do CORPUS MÍNIMO do Projeto da Norma Urbana Culta (NURC) e por inquéritos do IBORUNA, banco de dados online do Projeto de Amostras Linguísticas do Interior Paulista (ALIP). Os resultados indicam que houve presença de todos os fenômenos investigados no NM. Com base nesse resultado, notou-se que o português brasileiro está menos transparente, contrariando as expectativas iniciais, caminhando para a opacidade, o que contribui para a complexidade de sua aquisição.

 

Palavras-chave: GDF, Transparência, Nível Morfossintático

 

 

10. Grau do verbo e mudança construcional

 

José Romerito Silva (UFRN)

jromeritosilva@hotmail.com

 

Embora muito recorrente na comunicação oral e na escrita, o grau do verbo tem sido um fenômeno quase que completamente ignorado nos estudos linguísticos. Na descrição do português, as exceções são Almeida (1999), ao tratar de verbos aumentativos e verbos diminutivos; Lopes (2003), ao focalizar os verbos intensivos; e Silva (2008), que, abordando a intensificação, incluiu o grau do verbo em suas análises. A esse respeito, além dos pouquíssimos casos já consagrados de intensificação verbal com o prefixo super, como superlotar e superestimar, por exemplo, observamos que, mais recentemente, têm-se mostrado bastante produtivos usos de verbos intensificados com super, a exemplo de ocorrências como super quero voltar, super me identifiquei, super vale à pena, entre outras, em que o intensificador migra da condição de prefixo formador de palavras para a de advérbio. Esses usos revelam um novo paradigma de intensificação verbal no português brasileiro contemporâneo semelhante ao que ocorre em casos como super mal-educado, super à vontade, super em forma, discutidos em Silva (2001), em que super parece concorrer com intensificadores canônicos como muito ou bastante. Neste trabalho, portanto, temos como foco central a intensificação de verbos com super, partindo da hipótese de que se trata de um fenômeno de mudança construcional. Para tanto, valemo-nos do aparato teórico metodológico da Linguística Funcional Centrada no Uso. Como material de análise, utilizamos textos de gêneros variados nas modalidades falada e escrita. Investigações preliminares apontam que a intensificação verbal com super parece ainda limitar-se à fala ou à escrita mais próxima da oralidade.

 

 

11. Dêixis de Lugar e Esquemas Imagéticos em Amostras de Fala do Português Brasileiro

 

Jussara Abraçado (UFF)

almeidamja@globo.com

Rachel Maria Campos Menezes de Moraes (UFF)

rachel.maria.moraes@gmail.com

 

Os dêiticos de lugar, em amostras de fala do Português Brasileiro contemporâneo, constituem o tema deste trabalho que, com base em análise de dados provenientes da Amostra Senso 1980, Projeto Peul – UFRJ, postula haver ligação entre o acionamento de esquemas imagéticos e o emprego de dêiticos de lugar. Fundamentado, teoricamente, na Linguística Cognitiva, apoia-se no conceito frame, para desvelar relações entre alguns dos frames mais básicos, ou seja, os esquemas imagéticos, e contextos de uso de dêiticos de lugar no Português Brasileiro.

 

 

11. Estrutura linguística e processos cognitivos gerais

 

Maria Angélica Furtado da Cunha (UFRN)

angefurtado@gmail.com

 

Uma tendência recente de pesquisas vinculadas à Linguística Funcional norte-americana é a incorporação de pressupostos teórico-metodológicos da Gramática de Construções à análise de fenômenos linguísticos. No Brasil, essa corrente de estudos linguísticos tem-se rotulado como Linguística Funcional Centrada no Uso (FURTADO DA CUNHA et al., 2013; OLIVEIRA e ROSÁRIO, 2015) e é adotada pelos pesquisadores do Grupo de Estudos Discurso & Gramática. Esse modelo de abordagem caracteriza-se, principalmente, pela concepção de língua como uma rede de construções interconectadas em seus diferentes planos, por relações de natureza diversa, cuja estrutura é motivada e regulada por fatores cognitivos e sociocomunicativos. Decorre dessa compreensão a defesa do estudo da língua com base nesses fatores. A articulação da Linguística Funcional à Gramática de Construções implica reconhecer o papel da cognição no uso da língua. Nessa linha, o objetivo de uma teoria linguística deve ser descrever e explicar as propriedades da estrutura linguística em termos da aplicação de processos cognitivos gerais, os quais operam em outros domínios cognitivos que não a linguagem. A emergência da estrutura linguística é, pois, atribuída à aplicação repetida desses processos, sendo a gramática entendida como a organização cognitiva da experiência do falante com a língua, que é concebida como um sistema adaptativo complexo. Esta conferência tem por objetivo discutir essas questões.

 

 

12. Uma consideração sistêmico-discursiva do uso de advérbios em diferentes gêneros em língua portuguesa

 

Maria Helena de Moura Neves

(Mackenzie/ Unesp/ CNPq)

mhmneves@uol.com.br

 

A classe dos advérbios tem tido uma definição bastante controvertida, exatamente porque não se obtém uma fórmula definitória que justifique a abrangência tradicionalmente proposta. Além de exibir um leque bastante extenso de valores semânticos, essa classe abriga, funcionalmente, elementos díspares: modificam, ou não, um núcleo; têm tal âmbito de incidência, ou outro; implicam, ou não, circunstanciação; constituem termos acessórios, ou preenchem casas valenciais; etc. Tal heterogeneidade coloca a classe como matéria privilegiada para verificação funcional da frequência de seus elementos, especialmente na sua distribuição pelos diferentes gêneros discursivos. Nesse sentido, esta conferência trata da classe dos advérbios no âmbito da pesquisa que se desenvolve, utilizando para verificação o Córpus de Araraquara (UNESP), em textos (escritos) de linguagem dramática (Dr), técnico-didática (TD) e oratória (Or). As análises separam, para evitar viciar os resultados: a) advérbios de forma própria no léxico da língua; b) advérbios derivados em –mente (sempre subclassificados). São ponto de partida para a discussão estes interessantes resultados de frequência obtidos: no subconjunto a): Dr - 25% dos advérbios; Or - 10%; TD - 65%; no subconjunto b): Dr - 15%; Or - 35%; TD - 50%). Entram em discussão questões que relativizam a frequência e a distribuição das diferentes peças de marcação adverbial, segundo sua natureza e segundo as especificidades dos textos, vistos nas suas destinações sociointeracionais. Em busca das explicações legitimadoras, entra em discussão, particularmente, a relação entre as hipóteses teoricamente firmadas na proposição da pesquisa e os correspondentes resultados obtidos, na avaliação dos usos.

 

 

13. A gramaticalização do item “mesmo” em Quirinópolis-Goiás, centro-oeste brasileiro

 

Marília Silva Vieira (UEG)

vieirasmarilia@gmail.com

 

Este trabalho visa investigar o processo de gramaticalização do item mesmo na língua portuguesa, dado o seu uso recorrente em diferentes contextos discursivos, em que atua como substantivo, adjetivo, pronome, advérbio e conjunção. O córpus utilizado para a pesquisa constitui-se de entrevistas realizadas com nativos da cidade de Quirinópolis, uma cidade situada a cerca de 300 km da capital, Goiânia, no estado de Goiás, centro-oeste brasileiro. As gravações foram realizadas com quirinopolinos nativos, e constituem uma amostra de cerca de 40 entrevistas, estratificadas em sexo/gênero, idade e escolaridade. Para a análise e interpretação dos dados, o aporte teórico adotado serão as teorias sobre gramaticalização (Heine, Claudi & Hunnenmeyer, 1991), que se preocupam em descrever os mecanismos de mudança que propulsionam os empregos mais gramaticais do item “mesmo” no Português Brasileiro (PB). O objetivo é averiguar se, na fala dos habitantes de Quirinópolis-Goiás, o processo de gramaticalização do item se dá de forma semelhante ao já verificado em outras amostras do Português Brasileiro. A pesquisa demonstra a influência incisiva de elementos socioculturais, pragmáticos e cognitivos no processo de gramaticalização do item investigado. A partir disso, busca-se promover reflexões sobre o estatuto multifuncional do vocábulo, com vistas a uma readequação de seu estudo nas aulas de Língua Portuguesa.

 

 

14.  Pronomes locativos na formação de construções da gramática do português brasileiro

 

Mariangela Rios de Oliveira (UFF)

mariangelariosdeoliveira@gmail.com

 

No âmbito do Grupo de Estudos Discurso & Gramática – UFF, têm sido desenvolvidas pesquisas que levantam, descrevem e interpretam a contribuição dos pronomes locativos aqui, aí, ali, cá e na formação de construções, nos termos de Goldberg (1995; 2006), instanciadas no PB. Com base na Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), na interface da vertente funcionalista e da cognitiva, tal como apresentada em Traugott e Trousdale (2013) e Bybee (2010; 2015), nesta conferência, essas construções são assumidas como novos membros, de caráter marginal, que passam a integrar classes gramaticais da língua, ampliando-as. Tais pareamentos de sentido e forma emergem e se convencionalizam, segundo Diewald (2002; 2006), a partir de contextos de uso mais prototípico ou convencional, que, na trajetória da língua, evoluem para contextos atípicos, marcados por ambiguidade ou polissemia, daí passando a contextos críticos, em que, a par da referida ambiguidade, ocorre reinterpretação metonímica, chegando, por fim, ao estabelecimento e fixação da nova construção, com distinta função e nível de vinculação formal em relação ao contexto inicial. Com base em tais pressupostos, são pesquisadas e identificadas os seguintes pareamentos: a) a construção nominal atributiva [SNLoc]atrib, do tipo um menino aí e uma coisa lá (Aguiar, 2015); b) a construção conectora [LocV]conect, do tipo lá vai e aí vem (Rocha, 2016); c) a construção marcadora discursiva [VLoc]discurs, do tipo sei lá e vem cá (Teixeira, 2015); d) a construção intensificadora [pra lá de X]intens, como pra lá de bonita e pra lá de famosos (Venâncio, 2015).

 

 

15.  A esquematização das construções subjetivas

 

Nilza Barrozo Dias (UFF)

nilzabarrozodias@id.uff.br

 

Com base na proposta Funcionalista e com a contribuição da Semântica Cognitiva, este trabalho objetiva o estudo da esquematização de construções “subjetivas”, que se realizam, sintaticamente, como oração matriz + oração completiva com função de sujeito. A oração matriz (ou oração principal), além de selecionar um argumento oracional, instancia a subjetividade do falante em relação ao evento expresso na oração completiva subjetiva. A estrutura morfossintática unipessoal, quase categórica, de verbo ser na 3ª. pessoa do singular da oração matriz, mais adjetivo, auxilia a leitura semântica de impessoalidade e de generalidade. A posição da oração matriz no início da construção projeta a posição do falante, através de avaliações deônticas, epistêmicas e avaliativas, em relação ao evento que ocorre sob a forma de completiva. E, finalmente, algumas das construções completivas epistêmicas e avaliativas podem apresentar processo de gramaticalização da oração matriz e se tornarem parentéticas adverbiais, além de funcionarem como focalizadoras de constituintes da oração completiva dessentencializada, que passa a funcionar como oração independente. A análise dos contextos que nos levem a considerar a esquematização (nos termos de Bybee (2011) e de Traugott & Trousdole (2013) de construções subjetivas terá como apoio para a construção da rede análises de amostras pancrônicas, em pares opositivos de identificação das orações matrizes: é possível/ não é possível/ é impossível; é óbvio/não é óbvio; é bom/não é bom/é ruim; é justo/não é justo/é injusto.

 

 

16.  Construções complexas subjetivas em rede

 

Sebastião Carlos Leite Gonçalves (UNESP/CNPq)

scarlos@ibilce.unesp.br

 

A tradição gramatical classifica construções subordinadas na correspondência com termos simples da oração, sem claramente explicitar motivações que levam a tal equivalência. No âmbito da Linguística Funcional Centrada no Uso (Bybee, 2010, 2015), o princípio da motivação evidencia o funcionamento relacional do sistema linguístico, por meio do qual um padrão construcional predominante estrutura diversos outros. Sob tal consideração, postulamos a participação de construções complexas em uma ampla rede, configurada com base na construção genérica [[SUJ] [PRED]], lexicalmente aberta e determinante da regularidade do sistema: (i) as subpartes das construções em rede, independentemente de suas complexidades estruturais internas, estabelecem entre si uma relação semântica de predicação; (ii) construções simples e complexas instanciam-se na língua, obedecendo à mesma configuração básica; (iii) também tornam assimétricas as construções em rede propriedades semântico-pragmáticas de suas subpartes, tais como tipos semânticos e distribuição de informação da própria subparte e de seus constituintes internos. Nosso foco de interesse se volta para os padrões formados por [SUJ] complexo encaixado em construção matriz impessoal com função de [PRED], tipo tradicionalmente reconhecido como oração subordinada substantiva subjetiva. Não obstante as assimetrias que particularizam os diferentes padrões de construções complexas subjetivas, são as semelhanças entre eles que definirão, por “efeito de prototipia”, o membro que melhor representa a categoria. A partir de amostras de fala, propomos uma rede hierárquica para construções complexas subjetivas organizada em três níveis: construções subjetivas epistêmicas e avaliativas (nível intermediário) ligam construções de mesmo tipo, mas com Topicalização de constituinte argumental encaixado (nível mais baixo), à configuração genérica da categoria (nível mais alto). Essa hierarquização valida os Princípios da Não sinonímia e do Poder expressivo maximizado (GOLDBERG, 1995), uma vez que: (i) entre construções de nível mais alto e as duas de níveis mais baixos, divergências sintáticas e equivalência semântica refletem distinções pragmáticas, relacionadas à estrutura de informação dos constituintes argumentais; (ii) entre as duas construções de mesmo nível, divergências sintático-semânticas, relacionadas ao tipo de constituinte topicalizado e ao tipo semântico de matriz, refletem equivalência pragmática, também relacionada à estrutura de informação.

 

 

17.  A continuidade referencial e tópica nos livros didáticos de história

 

Talita Moreira de Oliveira (UFRJ)

talitamoreiradeoliveira@gmail.com

 

Este trabalho busca verificar como se constrói a continuidade referencial e tópica nos livros didáticos de História em três momentos da vida escolar de um indivíduo: o início e o fim do Ensino Fundamental (6º e 9º anos) e o final do Ensino Médio (3º ano). Para tanto, são examinados 5 textos de cada série.

A continuidade tópica ou referencial, um importante domínio funcional na perspectiva funcionalista americana, diz respeito a como um referente, uma vez introduzido, é mantido e retomado ao longo do texto sem comprometer a compreensão do leitor. Tal continuidade envolve, naturalmente, nomes como expressão inicial, mas também pronomes e anáforas zero nas suas retomadas.

Segundo a gramática tradicional, o referente introduzido seria retomado, preferencialmente, por um pronome ou zero (cf. Paredes Silva, 2007). Apesar disso, Paredes Silva (2008), ao estudar a repetição como estratégia de continuidade de referência/referenciação nos gêneros jornalísticos artigos de opinião, crônicas e notícias, observa a recorrência de tal estratégia e destaca seu papel coesivo, assim como sua relevância na construção do significado e clareza do texto.

No presente trabalho, restringiremos a análise aos SNs complexos (desde o formado pelo núcleo e um modificador, com baixa complexidade – até aquele com estrutura mais complexa – com elementos encaixados, tornando o SN não só mais extenso, mas também com uma carga informacional mais densa).

Resultados parciais têm mostrado um gradiente de complexidade: preferência por itens lexicais idênticos aos usados na introdução do referente, na amostra de LDs do 6º ano do EF, e SNs mais complexos, nos LDs do EM. Uma possível explicação para tal resultado seria o intuito dos autores de tornar a leitura mais acessível ao público alvo mais jovem e não tão maduro, e maior complexidade ao término, na expectativa de leitores mais proficientes.

 

 

18.  Especificidades do português. A proposta do Projeto Gramática do Português para a Alfal/2017

Vânia Cristina Casseb Galvão (UFG/UEG/CNPq/FAPEG)

vaniacassebgalvao@gmail.com

 

Como atividade de abertura dos trabalhos do Projeto 4 da Alfal/2017, Gramática do português, justificamos a escolha da temática e das atividades previstas na programação para esta edição a partir da consideração de que as discussões sobre as especificidades de uma gramática e a produção de gramáticas de uso da língua são ações de política linguística. Ganham também especial relevo na distinção da gramática do português descrições e análises linguísticas, baseadas em diferentes modelos funcionalistas, que atentem para os processos cognitivos gerais, a integração entre os níveis de constituição linguística e a análise das categorias linguísticas.

 

 

 

 

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XVIII CONGRESSO INTERNACIONAL ALFAL

Bogotá D.C. - Colômbia

24-28 de julho de 2017

 

Chamada de trabalhos

 

Título da proposta

“Distinções da gramática do português brasileiro”

 

Objetivo: congregar trabalhos descritivos e analíticos que enfoquem a gramática do português (PB), com vias a mostrar aspectos distintivos desse sistema linguístico, em abordagem diacrônica e/ou sincrônica, e contribuir para a sua promoção como principal mecanismo de interação social e mostração da identidade de seus usuários.

 

Princípio comum: concepção de gramática discursiva e cognitivamente motivada, constituída e centrada no uso efetivo da língua.

Os trabalhos podem ter qualquer um dos seguintes suportes teóricos:

 

- Gramática Funcional

- Gramática Discursivo-funcional

- Gramática Sistêmico-funcional

- Linguística Funcional Centrada no Uso

- Gramática de Construções

 

Instruções:

Sugestão de organização da comunicação, e da provável publicação da decorrente, no formato livro:

 

- Eleger um fenômeno característico da gramática do português brasileiro.

- Redigir as partes do texto respondendo às seguintes perguntas sobre o fenômeno eleito:

 

O que diz a tradição normativa?

O que dizem os linguistas?

O que mostram os dados de uso da língua e como você os interpreta?

 

A título de conclusão devem ser apresentadas correlações desse fenômeno com outros que definem a gramática do português brasileiro.

Cada apresentação durará 30 minutos (20 para a apresentação do trabalho e 10 minutos para debate).

Os resumos das propostas de comunicação no âmbito do projeto 4 deverão ser enviados para o email: vaniacassebgalvao@gmail.com

As submissões deverão seguir os prazos e normas gerais para elaboração dos resumos e originais para publicação definidos para apresentação de trabalho no XVIII Congresso da ALFAL.

 

 

 

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XVII CONGRESSO INTERNACIONAL ALFAL

 

João Pessoa (Paraíba, Brasil) - 14 a 19 de julho de 2014

 

 

PROJETO DE PESQUISA ‘GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS’

 

RELATÓRIO DAS ATIVIDADES NO XVII CONGRESSO INTERNACIONAL DA ALFAL

 

A proposta de trabalho do Projeto de Pesquisa Gramática do Português para o XVII Congresso foi basicamente definida a partir do XIV Congresso realizado em 2005 em Monterrey. Estabeleceu-se, como principal objetivo, num primeiro momento, a descrição gramatical do português e, num segundo momento, a aplicação do resultado dessas descrições à formulação de princípios que pudessem guiar uma gramática de referência.

Os trabalhos submetidos ao Projeto devem orientar-se sempre, em primeiro lugar, pelas seguintes perguntas:

1.    Como a descrição e a explicação teoricamente fundamentada que se faz na universidade pode transformar-se num discurso sobre as regras efetivamente em uso?

2.    Qual é o grau em que aspectos relevantes da descrição do fenômeno abordado estão próximos ou distantes do modo tradicional de descrição das gramáticas puramente prescritivas em uso no ensino escolar?

Outro aspecto a destacar é que a reflexão sobre uma gramática descritiva deve mobilizar um quadro de referência que privilegie as orientações sobre o ensino da língua portuguesa contidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (PCNLP) e, no caso de outras variedades lusófonas, as orientações contidas nos respectivos programas de ensino.

Os membros do Projeto de Pesquisa devem, por fim, identificar-se especialmente com uma teoria de gramática, cujo principal compromisso é descrever a linguagem não como um fim em si mesmo, mas como um requisito pragmático da interação verbal. Uma consequência metodológica dessa posição é o princípio de que a principal unidade de análise é, em primeira instância, a dimensão textual-interativa, o que pressupõe que as categorias pragmáticas e semânticas de análise devem alinhar-se às categorias morfossintáticas e fonológicas, uma concepção de gramática que incorpore, portanto, categorias não exclusivamente formais de análise.

O segundo aspecto relevante da agenda é, conforme mencionado acima, a motivação para o trabalho em equipe. Os projetos de pesquisa da ALFAL devem promover não apenas o intercâmbio entre pesquisadores de diferentes áreas, mas também, e principalmente, mediante esse intercâmbio, o debate em equipe em direção de um objetivo comum. Desse modo, os projetos de pesquisa não devem constituir um espaço para a apresentação de trabalhos individuais em torno de um mesmo tema, como tem sido a tradição nos congressos, mas o lugar privilegiado para que o intercâmbio de experiências individuais propicie a dinamização do trabalho dos pesquisadores na direção de uma atuação efetivamente conjunta.

Em função desses princípios básicos, os trabalhos apresentados. 22 ao todo, privilegiaram temas descritivos com propostas ao ensino desenvolvidas no âmbito de grupos de pesquisa consolidados, especialmente, na área textual-discursiva, em que se destacam os funcionalistas e os linguistas textuais. Uma novidade neste congresso foi a possibilidade de convidar um conferencista não necessariamente vinculado ao Projeto, mas, de alguma forma, ao conteúdo geral da proposta. Por isso, foi convidado o prof. Marcos Bagno, da UnB, por ser o autor de uma gramática de referência sobre o português brasileiro.

Os grupos que se fizeram representar nesse simpósio foram os seguintes: Discurso&Gramática, com a coordenação centrada na UFF, com 6 apresentações; Práticas de Leitura e Escrita em Português Contemporâneo, centrado na USP, com 4 apresentações; Grupo de Estudo em Funcionalismo, centrado na UFC, com 2 apresentações; Projeto de Pesquisa em Gramática funcional, centrado na UNESP de São José do Rio Preto, com 6 apresentações; projetos isolados centrados em instituições de diferentes partes do país, que contaram com 4 apresentações. Os trabalhos foram distribuídos organicamente em sessões contínuas com um período de debate que envolveu todas as apresentações.

Na reunião final de avaliação, este Coordenador fez uma breve avaliação de sua atuação à frente do Projeto e, em seguida, fez a apresentação aos participantes da Profa. Vânia Casseb Galvão, da UFG, que passará a coordenar os trabalhos do grupo de pesquisa e organizar as atividades das próximas edições dos congressos internacionais. Empossada a nova coordenadora fez uma apresentação de sua proposta para a continuidade dos trabalhos, que vem descrita na próxima sessão deste relatório.

 

 

Proposta de trabalho para o triênio 2014 – 2017

 

Título da proposta: “Distinções da gramática do português brasileiro”

 

       Objetivo: congregar trabalhos descritivos e analíticos que enfoquem a gramática do português brasileiro (PB), com vias a mostrar aspectos distintivos desse sistema linguístico e contribuir politicamente para a sua promoção como principal mecanismo de mostração da identidade de seus falantes.

       Base conceptual comum aos trabalhos componentes do projeto: gramática discursiva e cognitivamente motivada, constituída sociointeracionalmente, centrada no uso efetivo da língua.

 

Esses trabalhos estão subdivididos em três principais eixos epistemológicos:

       Gramática Funcional e Gramática Discursivo-funcional

       Abordagem Funcional-cognitiva ou Gramática Construcional

       Estudos do Texto

 

Princípios para a implementação da proposta

       Partir dos trabalhos vinculados ao projeto apresentados em João Pessoa e das temáticas apresentadas pelo Prof. Marcos Bagno (UnB), convidado do projeto, que ministrou a conferência “Por uma gramática brasileira: da descrição à proposição de materiais de ensino do português brasileiro contemporâneo.”

       Atender às orientações da ALFAL a respeito do gerenciamento dos projetos: aproximação entre regiões e países; recrutamentos de novos sócios; promoção de trabalho nos intervalos (ALFALITOS); estímulo à publicação do grupo.

 

Ações previstas

       Participação do grupo em eventos (inter)nacionais, como o SIMELP, o encontro da ANPOLL, da ABRALIN, entre outros.

       Promoção de dois ALFALITOS

       Preparação de uma publicação conjunta

 

 

ALFALITO 1:

 

Outubro de 2015 – Local: Lecce – Itália, sede do V SIMELP (Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa). Data: 08 de outubro de 2014, horário a ser definido.

 

       Evento intermediário com vias a preparar a publicação conjunta (a ser submetida ao comitê da ALFAL ou a edital ou editora nacional); estabelecer contatos internacionais; divulgar a ALFAL; estreitar relações entre os membros do projeto.

 

Formato da publicação

       Livro com 13 capítulos de 15 páginas, divididos conforme o domínio epistemológico. Cada domínio epistemológico deve ser apresentado por um capítulo teórico, introdutório dos princípios descritivos e analíticos que nortearão os demais capítulos.

       Todos os capítulos devem trabalhar dados de uso do PB e abordar um fenômeno que distinga tipologicamente a variedade brasileira do português.

 

Cronograma da publicação

       Até julho de 2015 - Preparar os textos para submeter à leitura sensível de moderadores.

       Outubro de 2015, em evento paralelo ao VSIMELP: debates sobre esses textos, a partir da intervenção dos moderadores, com vias a refinar a escrita dos textos e reforçar a unidade do grupo.

       Até dezembro de 2015: finalização dos textos para publicação, incorporando as sugestões dos moderadores e de demais componentes do projeto, de modo que possamos ter diálogos epistemológicos, na busca da manutenção da integração entre os membros e subgrupos do projeto.

       Até maio de 2016: publicação (lançamento em um evento da área, ANPOLL, por exemplo).

 

Direcionamentos para a organização da publicação

       Divisão em três partes, conforme o domínio epistemológico.

       Cada domínio terá um capítulo introdutório e capítulos descritivo-analíticos.

       Sugestão de organização do capítulo: eleger um fenômeno característico do português brasileiro; redigir as partes do texto respondendo às seguintes perguntas: (Em relação ao fenômeno abordado, O que dizem os gramáticos tradicionais? O que dizem os lingüistas? O que dizem os dados da língua? Ao término de cada capítulo podem ser apresentados direcionamentos para um trabalho voltado para a didática do português.

       Papeis autorais: todos os membros do projeto são autores, mas alguns agregam outras funções, tais como:

 

1.    Organizadores da obra (Roberto Camacho e Vânia Galvão): interlocução com os coordenadores dos domínios epistemológicos, autores e moderadores; interlocução com instituições de fomento e editoriais; escritura do prefácio; revisão final da obra.

2.    Coordenadores dos domínios epistemológicos: condução da distribuição dos temas e dos capítulos conforme o perfil dos autores; direcionamentos internos ao seu domínio.

3.    Moderadores: leitura crítica sensível dos textos de outros domínios; sugestões de alterações, acréscimos; condução dos debates desses textos no ALFALITO 1.

 

 

 

 

PROGRAMA

XVII ALFAL

 

 

QUARTA-FEIRA, 16/07

 

QUINTA-FEIRA, 17/07

 

SEXTA-FEIRA, 18/07

 

 

DAS 14h00 ÀS 15h40

 

SESSÃO A:

 

CONFERÊNCIA

 

Por uma gramática brasileira: da descrição à proposição de materiais de ensino do português brasileiro contemporâneo

 

Marcos Bagno (UNB)

SESSÃO C:

PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA EM PORTUGUÊS CONTEMPORÂNEO

 

SESSÃO D:

GRUPO DE ESTUDO EM FUNCIONALISMO

14h00: Letramento acadêmico: o caso dos indivíduos com alta escolaridade

 

Manoel Luiz Gonçalves Corrêa - USP

14h00: Alicerce retórico de expressões linguísticas modalizadoras deônticas na construção do texto discursivo-argumentativo

 

Léia Cruz de Menezes (UNILAB)

 

14h20: A experiência de tempo e de espaço do enunciador na produção do gênero notícia de jornal

 

Rosângela Rodrigues Borges (UNIFAL-USP)

Vanda Mari Trombetta (UFFS-USP)

 

14h20: Formulação da construção apositiva restritiva em língua portuguesa

 

Márcia Teixeira Nogueira (UFC)

14h40: O diálogo institucional no gênero painel

 

Eliana Vasconcelos da Silva Esvael (UFPB)

Glauce de Oliveira Alves (USP)

SESSÃO E:

PROJETO DE PESQUISA EM GRAMÁTICA FUNCIONAL

 

14h40: Relações de alinhamento e padrões de estruturação da relação adverbial propósito no português

Michel Gustavo Fontes (UFMS-UNESP)

 

Erotilde Goreti Pezatti (UNESP)

 

15h00: Restrições de acessibilidade das orações relativas na aquisição da escrita (PROJETO INDIVIDUAL)

 

Gabriela Maria de Oliveira (UNESP)

 

15h00: As orações concessivas na lusofonia sob a teoria da Gramática Discursivo-Funcional

 

Talita Storti Garcia (UNESP)

 

15h20:

DISCUSSÃO DOS TRABALHOS

 

15h20:

DISCUSSÃO DOS TRABALHOS

 

 

 

 

 

QUARTA-FEIRA, 16/07

 

QUINTA-FEIRA, 17/07

 

SEXTA-FEIRA, 18/07

 

DAS 16h00 ÀS 19h00

ABERTURA DOS TRABALHOS

 

16h00: Roberto Gomes Camacho (UNESP)

Coordenador do Projeto de Pesquisa ‘Gramática do Português

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ESPAÇO DESTINADO

À PROGRAMAÇÃO PLENÁRIA DA ALFAL

SESSÃO E:

(CONTINUAÇÃO)

 

16h00: Uma descrição discursivo-funcional da oração relativa no português

 

Aliana Lopes Câmara – UNESP

 

SESSÃO B:

PROJETO GRAMÁTICA & DISCURSO

 

16h20:Abordagem construcional da gramática do português

 

Mariângela Rios de Oliveira (UFF)

16h20: As orações predicativas na perspectiva da gramática discursivo-funcional: construções de identificação

 

Cibele Naidhig de Souza Carrascossi (UNESP)

Lisângela Aparecida Guiraldelli (FEI-FFCL).

 

 

16h40: Construções correlatas aditivas na perspectiva da linguística funcional centrada no uso

 

Ivo da Costa do Rosário (UFF)

 

16h40: As orações completivas nominais nas variedades lusófonas

 

Edson Rosa Francisco de Souza (UNESP)

17h00: COFFEE-BREAK

 

17h00: COFFEE-BREAK

17h20: Construções gramaticais sob a ótica da linguística funcional centrada no uso

 

Karen Sampaio Braga Alonso (UFRJ)

 

17h20: Transparência e opacidade na GDF: influência das línguas de contato no português europeu e brasileiro

 

Joceli Catarina Stassi-Sé (UFMS)

 

17h40 O papel do ‘agora’ no discurso e na gramática

 

Camilo Rosa Silva (UFPB)

Iara Ferreira de Melo Martins (UEPB)

SESSÃO F:

PROJETOS INDIVIDUAIS

 

17h40: Marcas de subjetividade no dialeto goiano

 

Vânia Cristina Casseb Galvão (UFG)

 

18h00: Construções de estrutura argumental no português do Brasil

 

Maria Angélica Furtado da Cunha (UFRN)

 

18h00: Onomasiologia e semasiologia das construções completivas e contribuições para o ensino de sintaxe

 

Gisele Cássia de Sousa (UNESP)

 

18h20: Abordagem construcional e ensino de língua portuguesa

 

Edvaldo Balduíno Bispo (UFRN)

 

18h20: As bases conceituais dos conectores condicionais em português

 

Taísa Peres de Oliveira (UFMS)

 

18h40:

DISCUSSÃO DOS TRABALHOS

18h40:

DISCUSSÃO DOS TRABALHOS

 

 

 

PROPOSTA DE TRABALHO

 

1. Histórico

A proposta de trabalho do Projeto de Pesquisa Gramática do Português da ALFAL foi basicamente definida a partir do XIV Congresso realizado em 2005 em Monterrey. Estabeleceu-se, como principal objetivo, num primeiro momento, a descrição gramatical do português e, num segundo momento, a aplicação do resultado dessas descrições à formulação de princípios que pudessem guiar uma gramática de referência.

O resultado dessa proposta mereceu um espaço privilegiado de discussão em equipe no XV Congresso Internacional da ALFAL, realizado em Montevidéu, ocasião em que se imprimiu não exatamente um novo perfil de pesquisa para o projeto, mas uma recomposição da proposta inicial. Portanto, sem prejuízo das atividades que já estavam em andamento, o novo perfil incorporou a discussão de questões de política linguística relacionadas à formação do português do Brasil em relação a outras variedades de português faladas no mundo lusófono, assim como com a expansão da língua portuguesa pelo mundo lusófono na qualidade de primeira e segunda língua.

 

2. Proposta

A agenda do Projeto impôs a necessidade de refletir sobre dois pontos principais, a saber, a orientação para o ensino e o trabalho em equipe. Começando pelo primeiro aspecto, como o tema é a gramática do português, o projeto se baseou em alguns pressupostos metodológicos do Projeto de Gramática do Português Falado cujo resultado mais relevante é a publicação de quatro dos cinco volumes (JUBRAN; KOCH, 2006; ILARI; NEVES, 2008; KATO; NASCIMENTO, 2009; ABAURRE, 2013) que constituem uma verdadeira gramática de referência da modalidade falada. Esse tipo de produção responde por um anseio de revisão do conceito tradicional de gramática, iniciada no Brasil, principalmente na década de 80, com Cunha e Cintra (1985), Perini (1995,) Bechara (1999) e, em Portugal, com Mira Mateus et al. (1983); seus reflexos mais recentes se fazem sentir nos trabalhos de Neves (2000) e Vilela & Koch (2001), Mira Mateus et alii (2005), Castilho (2010) e Bagno (2012), Perini (2013).

Os trabalhos submetidos ao Projeto devem orientar-se sempre, em primeiro lugar, pelas seguintes perguntas:

1.      Como a descrição e a explicação teoricamente fundamentada que se faz na universidade pode transformar-se num discurso sobre as regras efetivamente em uso?

2.      Qual é o grau em que aspectos relevantes da descrição do fenômeno abordado estão próximos ou distantes do modo tradicional de descrição das gramáticas puramente prescritivas em uso no ensino escolar?

            Outro aspecto a destacar é que a reflexão sobre uma gramática descritiva deve mobilizar um quadro de referência que privilegie as orientações sobre o ensino da língua portuguesa contidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (PCNLP) e, no caso de outras variedades lusófonas, as orientações contidas nos respectivos programas de ensino.

O resultado mais importante da descrição linguística enfocaria a reflexão sobre como o aprendiz deveria operar sobre o objeto descrito, manipulando-o adequadamente. Pode-se resumir o conjunto de orientações contido nos PCNLP aos seguintes pontos: (a) adoção do texto como unidade básica de ensino; (b) produção linguística tomada como produção de discursos contextualizados; (c) noção de que os textos distribuem-se num contínuo de gêneros estáveis, com características próprias e são socialmente organizados tanto na fala como na escrita; (d) atenção para a língua em uso, sem se fixar no estudo da gramática como um conjunto de regras, mas frisando a relevância da reflexão sobre a língua; (e) atenção especial para a produção e a compreensão do texto escrito e do texto oral; (f) explicitação da noção de linguagem adotada, com ênfase no aspecto social e histórico; (g) clareza quanto à variedade de usos da língua e variação linguística (MARCUSCHI 2000: 9).

Esse conjunto de orientações mostra uma concepção de linguagem que associa ‘a interação, em nível teórico, dos princípios constitutivos da estrutura com os princípios discursivos do processamento dessas estruturas’ (CASTILHO; NASCIMENTO 1996: 22). O quadro de referência privilegia, portanto, uma concepção de linguagem em que o produto da atividade verbal seja visto a partir das marcas que a situação discursiva imprime nos enunciados.

Os membros do Projeto de Pesquisa devem, por fim, identificar-se especialmente com uma teoria de gramática, cujo principal compromisso é descrever a linguagem não como um fim em si mesmo, mas como um requisito pragmático da interação verbal. Uma consequência metodológica dessa posição é o princípio de que a principal unidade de análise é, em primeira instância, a dimensão textual-interativa, o que pressupõe que as categorias pragmáticas e semânticas de análise devem alinhar-se às categorias morfossintáticas e fonológicas, uma concepção de gramática que incorpore, portanto, categorias não exclusivamente formais de análise.

O segundo aspecto relevante da agenda é, conforme mencionado acima, a motivação para o trabalho em equipe. Os projetos de pesquisa da ALFAL devem promover não apenas o intercâmbio entre pesquisadores de diferentes áreas, mas também, e principalmente, mediante esse intercâmbio, o debate em equipe em direção de um objetivo comum.

Desse modo, os projetos de pesquisa não devem constituir um espaço para a apresentação de trabalhos individuais em torno de um mesmo tema, como tem sido a tradição nos congressos, mas o lugar privilegiado para que o intercâmbio de experiências individuais propicie a dinamização do trabalho dos pesquisadores na direção de uma atuação efetivamente conjunta.

Em função dessa necessidade, decidiu-se consensualmente atribuir liberdade para a escolha do fenômeno a ser descrito. Nesse caso, o único aspecto compartilhado por todos em direção de uma atuação conjunta é o de que, como norma, cada membro não deve restringir suas respectivas contribuições apenas à descrição de um fenômeno, mas deve promover também uma reflexão sobre a possibilidade de implementar uma instrução inovadora no processo de ensino.

Dito em outros termos, uma indicação posta em prática, que parece prudente preservar, é a de que os participantes devem fornecer também uma reflexão sobre o modo como a abordagem científica de um fenômeno do português possa traduzir-se numa contribuição viável para o ensino; ou, na pior das hipóteses, sobre o modo como o mesmo fenômeno é tratado nas gramáticas normativas disponíveis, o que, em si mesmo, já fornece um parâmetro implícito de diferenciação de tratamento.

Na discussão que finalizou os trabalhos do projeto de pesquisa no XV Congresso Internacional da ALFAL, realizado em Montevidéu, decidiu-se pela continuidade desse tipo de atividades, mas com um escopo mais abrangente que incluísse todas as variedades lusófonas. Estabeleceu-se, consensualmente, como agenda mínima a preservação da descrição gramatical, mas com um modo novo de relacionamento, que permita compreender o real estatuto da variedade brasileira em relação a seu próprio processo de formação e em relação a outras variedades da lusofonia - a européia, as africanas e as asiáticas. O estabelecimento de uma agenda dessa natureza implica necessariamente dar especial destaque à língua portuguesa em relação: (a) a seu estatuto de segunda língua, em face das outras línguas mais faladas em países lusófonos recentemente libertos do processo colonial; (b) a sua inserção no quadro político-econômico como língua oficial, de ensino, difusão e de cultura; (c) a suas políticas de ensino, preservação e difusão; (d) a seus imaginários de crenças recobrindo estigma linguístico e cultural decorrente de raízes sócio-históricas do contato linguístico, cultural e étnico, etc.

Como essa nova direção não conflita com a agenda anterior de descrição e formulação de gramáticas de referência, as perguntas mencionadas em (1) e (2) acima continuam atuando como objetivo legítimo de pesquisa, mas com maior grau de abrangência e de aprofundamento. Essa agenda deve permitir compreender, por um lado, o real estatuto da variedade brasileira de português em relação a seu próprio processo de formação e, por outro, o estatuto da língua portuguesa no mundo e, especialmente, no interior da própria lusofonia.

 

3. Objetivos e modo de atuação

            Os objetivos gerais deste Projeto de Pesquisa são, portanto, os seguintes:

1)      Congregar pesquisadores interessados nesse objetivo comum e criar condições para uma atuação conjunta.

2)      Promover o intercâmbio de informações entre os pesquisadores mediante o uso de meios eletrônicos.

3)      Discutir fenômenos específicos da gramática das variedades do português falado e escrito e refletir sobre a elaboração de gramáticas de referência que sistematizem esses fenômenos.

            Para a realização prática dos objetivos gerais, prevêem-se os seguintes procedimentos:

·         Convocar os pesquisadores interessados.

·         Promover o intercâmbio de informações entre os pesquisadores mediante uso meios eletrônicos, entre os quais pontifica a abertura de um espaço de discussão e debate no próprio sítio da ALFAL.

·         Organizar as contribuições finais por área e linha de pesquisa para que constem como comunicações científicas no espaço destinado ao Projeto de Pesquisa Gramática do Português nos congressos da ALFAL.

·         Reservar um espaço de discussão conjunta no final dos trabalhos com o objetivo de avaliar o alcance teórico e prático das contribuições individuais.

 

 

Referências bibliográficas:

 

ABAURRE, M. B. M. (Org.). Gramática do Português Culto Falado no Brasil. (Vol. VII: A construção fonológica da palavra). 1. ed. São Paulo: Contexto, 2013.

BECHARA, E. Moderna gramática portuguesa (ed. rev. e amp.) Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 1999.

CASTILHO, A.T., NASCIMENTO, M. Vale o falado ou o escrito? (Entrevista). Ciências Hoje. v. 20, n. 118, 1996, p. 20-23.

CUNHA, C., LINDLEY CINTRA, L.F. Nova gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.

FIORIN, J.L.; PETTER, M. Prefácio. In: (FIORIN, J. L.; PETTERS, M. (orgs) Africa no Brasil. A formação da língua portuguesa. São Paulo: Contexto, 2008, p. 7-11.

HALLIDAY, M.A.K. Language structure and language function. In: LYONS, J. (ed.) New horizons in linguistics. Harmondsworth: Penguin Books, 1970, p. 140-165.

HENGEVELD, K.; MACKENZIE, J.L. The Functional Discourse Grammar. Londres: Oxford, 2008.

ILARI, R., NEVES, M.H.M. (Orgs.) Gramática do Português Culto Falado no Brasil. (Vol. II: Classes de Palavras e processos de construção. Campinas; Editora da UNICAMP, 2008.

JUBRAN, C.C.A.S, KOCH, I.G.V. (Orgs.) Gramática do Português Culto Falado no Brasil. (Vol. I: Construção do texto falado. Campinas; Editora da UNICAMP, 2006.

KATO, M.A.; NASCIMENTO, M. (Orgs.). Gramática do Português Culto Falado no Brasil. (vol III: A construção da sentença) 1a. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 2009. v. 1. 340p.

MARCUSCHI, L.A. O papel da linguística no ensino de línguas. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2000.

MARCUSCHI, L.A. O papel da linguística no ensino de línguas. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2000.

MIRA MATEUS, Maria Helena. O horizonte da investigação sobre o português. Atas do I Congresso Internacional da ABRALIN. Salvador: FINEP/UFBA, 1996.

MIRA MATEUS, M.H.; BRITO, A. M.; DUARTE, I.; FARIA, I. H. Gramática da língua portuguesa. Lisboa: Caminho, 2ª edição revista e aumentada 2003, 5ª ed. revista e aumentada: 2005.

MINISTERIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO. Parâmetros Curriculares Nacionais. Língua Portuguesa, 1998.

MOITA LOPES, L.P. Linguística aplicada e vida contemporânea. Problematização dos contrutos que têm orientado a pesquisa. In: MOITA LOPES, LP (Org.) Por uma linguística aplicada indisciplinar. São Paulo: Parábola, 2006.

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VILELA, M., KOCH, I.V. Gramática da língua portuguesa.Coimbra: Almedina, 2001.

 

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XVI CONGRESSO INTERNACIONAL ALFAL

Alcalá de Henares (Madrid, Espanha), de 6 a 9 de junho de 2011

 

PROGRAMA (pdf)

 

RESUMOS DOS TRABALHOS (pdf)

 

PROPOSTA DE TRABALHO

 

FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO

este não é o formulário de inscrição para o Congresso

 

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ATIVIDADES DURANTE O XVI CONGRESSO

(Alcalá de Henares)

 

RELATÓRIO

O Projeto de Pesquisa Gramática do Português tem como temática principal um comprometimento com a discussão de questões de política lingüística relacionadas à formação do português do Brasil em relação a outrasvariedades lusófonas, assim como a expansão da língua portuguesa pelo mundo lusófono multilingüe na qualidade de primeira e de segunda língua. Outra linha temática, que já vinha sendo desenvolvida, procura dar uma respostaconvincente ao anseio generalizado de rever o conceito tradicional de gramática, em busca de princípios normativos não-prescritivos que regem gramáticas de referência. Nesse caso, todos os trabalhos se orientaram pelas seguintesperguntas:

1. Como a descrição e a explicação teoricamente fundamentada que se faz na universidade pode transformar-se num discurso sobre as regras efetivamente em uso?

2. Qual é o grau em que aspectos relevantes da descrição do fenômeno abordado estão próximos ou distantes do modo tradicional de descrição das gramáticas puramente prescritivas em uso no ensino escolar?

Os que se apoiaram na relação do Português do Brasil com as variedades lusófonas elegeram um corpus comum no qual se debruçaram as descrições apresentadas. Os que não se apoiaram nessa temática, não restringiram suascontribuições apenas à descrição de um fenômeno, mas promoveram também uma reflexão sobre a possibilidade de implementar uma instrução inovadora ao ensino da língua, conforme as exigências da proposta do Projeto.

Considerando essas duas áreas, foram aceitos 23 trabalhos, que foram distribuídos por 6 sessões temáticas. Dos 23 trabalhos inscritos, houve, no final, 17 comparecimentos. 59.0 % do total de apresentações (10/17) constituemresultados de um projeto de pesquisa sobre subordinação na lusofonia. Os outros 41.0 % restantes, em que pese a miscelânea temática, manifestaram preocupação em estabelecer uma relação entre a descrição do fenômeno e areflexão sobre o ensino do português.

Para concluir este breve relatório, posso assegurar que o Projeto de Pesquisa sob minha coordenação não constitui mais uma sessão de comunicações individuais, mas um espaço privilegiado para a discussão de trabalhosrealizados em torno de uma temática comum. A avaliação promovida na discussão final do projeto chegou à conclusão de que é produtivo manter esse procedimento misto de projeto único com trabalhos individuais orientados para areflexão sobre o ensino do português.

 

São José do Rio Preto, 11 de julho de 2011.

Roberto Gomes Camacho

Coordenador